por Fernanda Stein - bailarina e pesquisadora do Grupo Meme (jornalista nas horas vagas!)
No dia 13 de novembro de 2009, o Meme esteve
Terra natal do diretor e coreógrafo do Meme, Paulo Guimarães (Laco), essa viagem teve um sabor especial, pois o espetáculo apresentado foi “Teresinhas”, obra inspirada
Durante os dois dias que passamos lá, tive a oportunidade de conversar com Daniela Castro, querida amiga desde os tempos iniciais do Meme, em 2004.
Formada
Esta entrevista é a tentativa de estabelecer um diálogo com aqueles que estão fora do eixo da capital, fazendo e vivenciando a dança, para que possamos conhecer um pouco melhor a realidade dos grupos no interior do nosso estado.
Entrevista com Daniela Castro – Rio Grande, novembro 2009.
Fala um pouco sobre esse evento que está acontecendo aqui na FURG.
Daniela – Bom, na verdade são dois grandes eventos, a MPU – Mostra de Produção Universitária da FURG e o Geribanda, que é o movimento de arte e cultura na Furg. Dentro do Geribanda, existem alguns focos e neste ano o foco foi a música, o teatro e a dança. Falando mais especificamente da dança, tivemos o seminário de dança contemporânea: Circuito diálogos, que foi a parte da dança dentro do Geribanda. Esse Seminário teve como proposta fazer algumas atividades práticas e oficinas, como a do Daniel Amaro de dança-afro e a do Laco (Paulo Guimarães, coordenador do Meme) que será amanhã de manhã. À tarde, então, foi a vez da Mostra de Dança cuja intenção maior era provocar um pouco a discussão e o diálogo em torno da dança, o que vem sendo feito aqui na cidade. A gente colocou um tema, que foi “Processos de Criação” e os trabalhos poderiam estar ainda em construção, ou seja, as pessoas poderiam trazê-los como estivessem e haveria comentadores para se criar esse diálogo, né? Então dentro disso entrou o Laco, o Alex Almeida que estuda dança-teatro na UFPEL e eu, que venho da Furg. A gente sabia que viriam várias coisas, até porque conhecemos a dança de Rio Grande. Apesar de ser um seminário de dança contemporânea, teve trabalhos de dança clássica, dança de salão, de rua. Mas a gente deixou assim porque, em primeiro lugar, talvez nem acontecesse se a gente fechasse muito e segundo porque a ideia era provocar o diálogo da dança
Como são os grupos de dança aqui
Os grupos são muito fechados, um briga com o outro, é uma coisa muito de cidade pequena. Existem escolas boas, mas se a fulana vem o outro não vem.. Então foi isso que eu quando pensei nesse seminário, eu quis provocar. Vamos trazer para a Universidade que é um espaço diferenciado e neutro, assim podemos chamar todos para participar, pois não é uma academia sozinha que está promovendo, e vamos ver, quem estiver mais aberto vai aparecer. A intenção é que esse Seminário se repita outras vezes, para que a gente possa, aos pouquinhos, mexer com a dança de Rio Grande.
Tu trabalhas com um grupo de dança, que tu diriges e coreografa. Como é?
O meu grupo eu chamo de “Baila Cassino – Grupo de Dança Livre”, as bailarinas têm mais de 50 anos, e eu coreografo também. Mas eu ainda não cheguei no ponto que eu gostaria com elas, porque elas são muito tradicionais, não aceitam qualquer coisa, acho que já cresceram bastante, já faz 3 anos que trabalhamos juntas. Eu comecei esse trabalho porque eu não tava a fim de me incomodar, então pensei, vou trabalhar com a terceira idade, vou dar umas aulas, sou professora de Educação Física, vou juntar a dança com a ginástica, e vou por aí.... Mas eu me surpreendi, pois começamos a trabalhar e veio delas a proposta de uma primeira apresentação, que era um chá beneficiente só para senhoras, quem sabe a gente faz uma dancinha, uma coreografiazinha? E eu disse, então tá! E a partir dali começamos a desenvolver alguma coisa, eu coreografo, eu não consegui ainda que elas criassem como eu gostaria, que trabalhassem com improviso, porque elas ainda são muito presas ao meu modelo, ainda falam muito “ah, eu não sei dançar, sou gordinha, sou velha”.. então elas precisam daquele modelo na frente para elas copiarem. Mas a gente vai indo assim. Eu tenho uma pessoa que me ajuda, a Ângela, que também dá umas aulas comigo. E a gente, então foi aumentando o numero de apresentações, conseguimos fazer uma apresentação no palco, foi legal, falava da trajetória de vida delas, se chamava “Ritmos da Vida”, uma delas é escritora - a gente tem várias potencialidades aqui - ela escreveu o roteiro, que a gente gravou junto, então tinha a fala dela e depois a dança. O roteiro foi feito em cima das historias delas, e foi representado com os ritmos e as coreografias. Foi super legal, elas adoraram, elas amam essa apresentação, querem repetir. Eu já tinha deixado de lado para fazer outras mas elas querem retomar.
Quantas pessoas têm no grupo?
Tem 15,
Todos aqui de Rio Grande?
Tem um de Pelotas e o resto é de Rio Grande. E fora os grupos, tem muita gente se inscrevendo para as oficinas, palestras, almoço. Estamos conseguindo agregar além das bailarinas, pessoas que querem ver um pouco de dança. Vai ter oficina de alongamento, de dança de salão, oficinas que permitem quem não tem experiência na dança fazer.
Um ultima pergunta: como tu vês o diálogo e a troca de informação entre Porto Alegre e Rio Grande? Como funciona esse intercambio?
Eu acho que ele existe, mas é pouco... a gente mora num lugar que é longe, chega pouca coisa aqui. O que a gente mais sabe, geralmente, é pela Zero Hora, o que chega pelo jornal. Na televisão praticamente não passa nada de dança, principalmente de grupos locais. Eu assisto muito o Canal SESC, mas é mais sobre grupos de RJ e SP. Claro, como eu sou ligada em dança, eu tenho meu mailing, recebo muita coisa, fico sabendo o que está acontecendo
Mas é um fluxo complicado então?
Exatamente, é complicado. Eu tento estimular ao máximo as minhas alunas a irem a Festivais, apresentações. Trazer para cá é outra coisa difícil. A cidade não é tão pequena, mas não vive a cultura, não é uma cidade cultural, é difícil fazer as pessoas participarem, existe uma resistência grande. Por exemplo, há tempos o Luiz Henrique e eu, tentávamos trazer o Meme, e era difícil. Quando surgiu essa oportunidade aqui na Universidade eu disse: vamos trazer. Por que não dá para ficar dependendo dos teatros, dos patrocinadores, a coisa não anda.
Bem, muito obrigada, parabéns pelo trabalho!

Presidente Lula assina amanhã projeto de lei que cria o Vale Cultura, benefício concedido ao trabalhador nos moldes do Vale Transporte e do Ticket RefeiçãoVale Transporte, Ticket Refeição e... um Vale Cultura de R$ 50 mensais para o trabalhador gastar em cinema, teatro, shows ou livros. Não estranhe. O novo benefício é de fato concreto e começa a se tornar realidade amanhã, quando o presidente Lula assinará e enviará ao Congresso o projeto de lei que institui o Vale Cultura. Participam da cerimônia, às 18h, no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, os ministros Juca Ferreira, da Cultura, e Dilma Rousseff, da Casa Civil.Na verdade, já existe um Vale Cultura tramitando no Congresso. Apesar de ter sido aprovado em todas as comissões pelas quais passou, porém, o projeto, de autoria do deputado Múcio Monteiro (PTB-PE), emperrou numa questão legal: o texto pedia a criação de uma despesa orçamentária extra, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Foi por isso que o Ministério da Cultura (MinC) criou um substitutivo – que já incorporou os aprimoramentos sugeridos ao anterior, ressalta o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Roberto Nascimento.– Não queremos autoria, mas apenas que o Vale Cultura aconteça – diz. – Será um passo fundamental para acabar com a exclusão cultural existente no Brasil.Na prática, vai funcionar assim: o trabalhador que ganha até cinco salários mínimos vai receber um tíquete, nos moldes dos vales refeição e transporte, todos os meses, no valor de R$ 50; 10% dessa quantia pagos pelo próprio beneficiário e 90%, pela sua empresa – mas que poderão ser abatidos por meio de renúncia fiscal, desde que a soma relativa a todos os funcionários não ultrapasse 1% do total pago por essa empresa em Imposto de Renda. O empregador que quiser disponibilizar o vale aos seus empregados que recebem mais que cinco salários mínimos também poderá fazê-lo – desde que todos aqueles com renda inferior já estejam sendo beneficiados ou, se assim preferirem, tenham se manifestado recusando o benefício.A expectativa, projeta Roberto Nascimento acreditando na “sensibilidade dos empresários em qualificar a sua mão de obra e em colaborar para o engrandecimento da produção cultural brasileira”, é de que a maior parte dos 12 milhões de empregados aptos recebam o Vale Cultura. E, assim, até R$ 600 milhões sejam injetados mensalmente no mercado cultural – ou R$ 7 bilhões ao ano, sete vezes mais que o total investido anualmente pelas empresas em projetos culturais via Lei Rouanet.Dada a quantidade de apoios que o projeto tem recebido – Nascimento acredita haver um “consenso nacional em torno do Vale Cultura” –, o MinC espera que a lei tenha tramitação rápida e possa entrar em ação ainda neste ano.


