quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ensaio sobre o Vazio



Diego Esteves
Janeiro de 2010.

Quando surgiu o convite para escrever para o blog do MEME, fiquei pensando no tema sobre o qual discorrer. Nesse momento o tema já foi escolhido e, ironicamente, é com ele que me encontro agora: o vazio.
Escrever sobre o vazio, aqui, é uma redundância: escrevo pensando esta palavra ao mesmo tempo em que estou sobre este vazio, na medida em que as análises estão por serem feitas: a folha está em branco. E não só isso, pois fosse só o fato de ela estar em branco, bastaria alguns toques de dedos para preenchê-la. Mas não é disso que se trata. Escolhi escrever sobre algo que me punge, que me toca e atravessa, me coloca a pensar e antes, sentir. Não é algo que conheço, tenha estudado com afinco, ou tenha um concreto conhecimento de causa. Mas, diz Deleuze, filósofo francês caro para esta análise, que a boa inteligência vem sempre depois. Assim espero.
Dou início: a criação não se dá sem a existência de um vazio. Mas o que é este vazio? Pois sem esta resposta a afirmação ficaria um tanto confusa: como pode existir um vazio, quando um vazio seria um nada, e um nada não pode ocupar espaço, ou pode? Há também, nesta linha, uma afirmação que diz que nada pode surgir do nada. Então, de que vazio se trata? Neste caso, uma questão conceitual, ou poderia ser metafórica: um conceito que responde a um problema, o qual tento elaborar, ou uma metáfora que exprime uma sensação: a qual sinto enquanto artista em processo de criação.
Nada muito perto de certezas. O mais próximo disso é crer que sem este vazio não é possível criar uma obra de arte que seja intempestiva. Neste sentido, estou com o texto de Sueli Rolnyk: Se definirmos o intempestivo exatamente como a emergência de uma diferença desestabilizadora das formas vigentes, a qual nos separa do que somos e nos coloca uma exigência de criação, uma obra de arte intempestiva é aquela que se faz como resposta a uma exigência deste tipo; é só quando isso acontece, a meu ver, que se pode falar em arte.
Se assumimos então esta necessidade, nos deparamos com outro problema: da dificuldade de se colocar nesta posição inconsistente, indecisa. Poucos se permitem não saber, não ser, não estar. Tendemos a nos agarrar às formas, a um Eu com nome, sobrenome, RG e verdades. Querendo ou não, estamos num lugar, e o vazio, neste caso, é aquele momento de angústia, um sentimento ambíguo: a apreensão de não saber para onde ir e a expressão que pode ir para qualquer lugar: quando nada é, tudo pode ser. Interessante que a palavra apreensão no dicionário tem o duplo sentido de preocupação por incerteza do futuro e ação ou efeito de aprender.
Digo isso, pois penso que uma das formas de estar na vida é agir como se os problemas não existissem, num fruir descomprometido, usufruindo de uma pseudo-felicidade (ou outra forma de felicidade?). Era uma das críticas de Nietzsche, segundo Jean Granier: Adivinha-se a receita dessa felicidade: a eliminação engenhosamente programada de tudo o que, na realidade, é fonte de conflitos, de lutas, de tensão e, portanto, de superação. Trata-se de reduzir a existência humana a uma sonolência prazerosa e ininterrupta, a uma irresponsabilidade contente. Reconhece-se aí o ideal da "sociedade de consumo" moderna, versão técnica e publicitária do niilismo passivo.
Por outro lado (que em nada nega o anterior) podemos pensar que as formas se agarram ao nosso ser. Basta analisar como estamos impregnados de posturas, de gestos, de dizeres, de opiniões. Não seria de todo errado afirmar que, só somos, à medida em que temos uma forma. Num extremo: somos esta forma. Logo, não poderíamos ser um nada. Podemos, contudo, ser o processo, não o fim. Estarmos mais atentos aos acontecimentos e mais, provocar para que algo nos ocorra e ocorra com o mundo: se mantém então a forma, mas pequenas sutilezas fazem com que ela mude, pouco a pouco. Não que essas mudanças não sejam inerentes a todos, porém, ser ativo, atuante, pensante, fazedor, criador, questionador, é diferente. Interessante como muitas dessas palavras terminam com dor...
Vivemos numa estrutura social, há toda uma maquinaria da qual fazemos parte à medida em que temos um lugar, uma função. Mesmo assim, por mais que a tendência seja a da reprodução, sempre a algo que escapa, sempre existe uma linha de fuga e é sobre estas que precisa recair nossa atenção. Parece-me que poucas coisas podem ser tão difíceis quanto isso. Assumir esta condição de procura, de sensibilidade apurada, de pensar constante, é causar um eterno problema enquanto durar a vida. Aliás, pensar realmente, e não somente repetir, pressupõe, ao meu ver, uma boa dose de sensibilidade: uma é inerente a outra. Mas arrisco dizer que só assim estaremos com a vida e não na vida. Não sem dor: negar esta, como a derrota e tudo que rotulamos como o mal, é nos tirar a chance da felicidade, da superação, do ir além. Como saber a felicidade sem saber a tristeza?
Encontrar este estado de inconstância, de não-saber, que aqui estou chamando de vazio, não se dá sem um esforço. E esse esforço não é eficaz sem um método. E é aí que está, ao meu ver, um dos méritos dos laboratórios do MEME: promover, por diversos meios, este vazio. Penso que é na desconstrução do ser, que é buscando uma indefinição, um corpo informe, que surge a criação. Desconstruir para reconstruir. Do contrário, ficaríamos com o mesmo e com as formas dadas. Contudo, é necessário jogar com as formas, não negá-las.
Um adendo: não é possível ser esse vazio. Penso que esta condição sensível não é um lugar para ser alcançado, é um caminho. E, talvez, na maior parte do tempo, viveremos os automatismos e distrações cotidianas, já que a tendência é a da reprodução. No entanto, em laboratório, em criação, esta condição é indispensável e, mesmo assim, nem sempre alcançada. Mas exercitá-la, em arte, pode significar a possibilidade de trazê-la para a vida como um todo e, fazendo assim, da vida uma obra de arte.
Encaminho o texto para o fim com o pouco fôlego que me resta. Penso ser provável que ele não se faça entender o suficiente. Talvez bem menos do que isso. Seria um disparate que fosse o contrário. O motivo, já dito de ante-mão, é que não sei sobre o que escrevo: tenho alguns apontamentos, mas escrevo com essa sensação de vazio (que neste caso é muito pertinente). Só me potencializa escrever neste limiar. O mesmo vazio que experimento dia a dia, enquanto artista: função que, reafirmo, não pode se dar, ao meu ver, sem se permitir e se provocar esses vazios. Sem estar neste limiar. Ao menos quando se pensa numa obra de arte intempestiva. Ou quando se pensa, como Roland Barthes, ao escrever sobre Brecht, uma arte crítica:

Tudo o que lemos e ouvimos recobre-nos como uma toalha, rodeia-nos e envolve-nos como um meio: é a logosfera. Essa logosfera nos é dada por nossa época, nossa classe, nosso ofício: é um “dado” de nosso sujeito. (...) A arte crítica é aquela que abre uma crise: que rasga, que faz rachaduras na cobertura, fissura a crosta das linguagens, desliga e dilui o ligamento da logosfera; é uma arte épica: que torna descontínuos os tecidos das palavras, afasta a representação sem anulá-la.


1 http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/SUELY/ninguem.pdf
2 Nietzsche. Jean Granier. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.
3 Escritos sobre teatro. Roland Barthes. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Diego Esteves é coordenador do Núcleo de Estudos e Experimentações com Circo e Transversalidades - NECITRA, que funciona junto ao Centro Meme. Recentemente, fez sua primeira participação junto ao Grupo MEME na performance Acessos, no Festival Internacional Mesa Verde.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Dica Cultural: Sophie Calle no Museu de Arte Moderna no RJ


É uma pena que alguns eventos culturais não cheguem até Porto Alegre ou passem reto sem escalas até Buenos Aires.

A exposição da performer francesa Sophie Calle fica no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro até o dia 21 de fevereiro de 2010. Sorte de quem tiver a oportunidade de visitá-la e ver de perto o trabalho desta importante artista da cena mundial contemporânea.

Caso tenha aproveitado ou gostado da sugestão, deixe aqui o seu comentário!

Fica a dica.




`Cuide de Você` ganha exposição completa no MAM

RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Mostra reúne fotografias, vídeos, textos e outras leituras de 107 intérpretes para um e-mail de rompimento recebido pela artista plástica francesa Sophie Calle

O que você faria se recebesse um e-mail pondo um ponto final numa relação amorosa? A artista plástica e escritora Sophie Calle, um dos mais relevantes nomes da arte contemporânea mundial, encaminhou a carta de rompimento enviada a ela por seu então namorado a mais de cem mulheres e pediu para que cada uma a interpretasse à sua maneira.

Prenez soin de vous. Em francês, cuide de você. Era a última frase do texto. Sophie decidiu seguir o conselho de um jeito pouco usual. O e-mail do escritor Grégoire Bouillier, enviado à Sophie Calle em 2004, foi analisado por 107 intérpretes, entre famosas como a atriz Jeanne Moreau, a cantora Peaches e a compositora Laurie Anderson, e anônimas como uma vidente, uma física, uma mágica, uma professora de Ikebana e até um papagaio fêmea, para citar apenas algumas das colaboradoras.

Reunindo fotografias, vídeos, textos e outras formas de interpretação, o projeto se transformou na exposição Cuide de Você, apresentada pela primeira vez na 52ª Bienal Internacional de Arte de Veneza em 2007, onde causou sensação e polêmica. Patrocinada pela Vale e co-patrocinada pela Secretaria de Estado de Cultura, Cuide de Você chega ao Rio e Janeiro em seu maior formato, com todas as 107 leituras para o tema. Com produção de Francisco Franca e Mariana Marinho, a mostra vai ocupar 2.400 m2 do Museu de Arte Moderna (MAM) carioca, entre 11 de dezembro de 2009 e 21 de fevereiro de 2010. Anteriormente, a exposição passou por São Paulo e Salvador e segue em 2010 seu percurso internacional.

A exposição Cuide de Você é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura, através da Casa França-Brasil. Para Adriana Rattes, Secretária de Estado de Cultura, Sophie Calle é uma das mais interessantes artistas francesas contemporâneas. “Há alguns meses estamos empenhados em trazer essa exposição para cá e ficamos muito felizes por tê-lo conseguido", comemora Adriana.

- Este patrocínio faz parte da estratégia da Vale de levar cultura às regiões onde a empresa está presente, afirma o diretor de Comunicação Corporativa e Imprensa da Vale, Fernando Thompson.

- Recebi uma carta de rompimento por email que não soube responder. Era como se não fosse a mim destinada. Terminava com as seguintes palavras: Cuide bem de você. Tomei esta recomendação ao pé da letra. Pedi a 107 mulheres, escolhidas por sua profissão, seu talento de interpretar a carta sob um ângulo profissional. Analisá-la, comentá-la, interpretá-la, dançá-la, cantá-la. Dissecá-la, esgotá-la. Fazer-me compreender. Falar no meu lugar. Uma maneira de sentir o tempo do rompimento. No meu ritmo. Cuidar bem de mim, afirma Sophie Calle, no texto de apresentação da exposição.

A mostra, na verdade uma grande instalação, é dividida em módulos. Abre com um grande mural de 33 atrizes e cantoras (nome original da peça), que têm suas fotos expostas de um lado e vídeos de suas interpretações-performances da carta do outro. Um segundo mural, chamado de pergaminhos, vai reunir fotos e ampliações dos documentos gerados pelos comentários de outras 60 mulheres participantes.

-São documentos com traduções da carta em braille, código morse, estenografia, código de barras e outras linguagens gráficas, que as colaboradoras usaram na intenção de dar corpo ao e-mail de rompimento recebido, adiantam os produtores Francisco Franca e Mariana Marinho, responsáveis pela organização da mostra no Rio.

Fotógrafa e documentarista, Sophie Calle nasceu em 1953, em Paris, cidade onde vive e trabalha. Sophie já usou temas globais como fonte de sua arte, como a queda do Muro de Berlim, mas é conhecida por usar a sua vida como fonte de inspiração artística. Conceitual, e com o princípio de que a realidade, muitas vezes, é mais interessante que a ficção, Sophie usa como mote de seu trabalho situações do dia-a-dia, como registrar todos os passos de um estranho, de Paris a Veneza ou fotografar as malas de hóspedes em um hotel onde foi camareira. O que gera polêmica, mas, para supresa da própria artista, nenhum processo judicial. A artista faz questão de dizer que é um desafio expor as situações extraordinárias que todo ser humano vive. E que a transformação dessas realidades em arte é uma maneira de ter controle sob a vida e não ficar na posição de vítima dos sentimentos.

Ficha técnica:
Coordenação Geral do Projeto: Francisco Franca
Produção Executiva: Mariana Marinho
Produtor Assistente:Marcela Sá e Patrícia Norman
Projeto Cenográfico: AIA Productions
Cenotécnica: Jorge Nova Geração Cenários
Montagem: equipe francesa - Cyril Popoff e Sandrine Callard
equipe Brasileira - Alessandra Clark e Equipe MAM RJ
Iluminação: Rogério Emerson
Assistente de Iluminação: Aude Chevalier Beaumel
Projeção: Luminance
Administração: Dona Rosa Produções e R. Godoy Marketing & Cultura
Patrocínio: Vale
Co- patrocínio: Secretaria de Estado de Cultura
Parceria: Casa França Brasil, SESC SP e VideoBrasil
Apoio: Hotéis Marina e Luminance
Realização: Dona Rosa Produções

Exposição: Cuide de Você
De 11 de dezembro de 2009 a 21 de fevereiro de 2010 (abertura para convidados dia 10 de dezembro)
MAM (Museu de Arte Moderna) – Avenida Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo - RJ. Tel.: 2240-4944 Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira, das 12h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h.
Ingresso: R$ 8 (R$ 4 para estudantes e maiores de 60 anos; grátis para crianças até 12 anos; ingresso-família aos domingos R$ 8, para até cinco pessoas).

Palestra de Sophie Calle
Dia 9 de dezembro, às 18h.
Parque Lage – Rua Jardim Botânico, 414 - RJ

Fonte: SEC RJ

http://www.revistamuseu.com.br/noticias/not.asp?id=22072&MES=/12/2009&max_por=10&Entrada franca

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Que 2010 seja um ano de grandes emoções!



O documentário acima registra, em breves palavras (e silêncios), as percepções de um grupo de artistas que, desde 2004, vem trabalhando em conjunto para chegar a maturidade profissional e artística. Aprendendo com os erros e acertos, eles buscam caminhos para expressar idéias, mergulhando no abismo da indeterminação. O gesto, o som, o movimento de uma câmera ou de um pincel preenchem os espaços deixados pela ausência de definições.


Teatro e dança são os destaques no ano
Antônio Hohlfeldt – Jornal do Comércio 24/12/09

A temporada teatral do ano que se encerra teve uma movimentação muito boa, levando-se em conta o ano de crise econômico-financeira que o País enfrentou. Mantivemos as atrações tradicionais, como o Porto Verão Alegre e o Porto Alegre em Cena, no que toca à Capital gaúcha. A cidade de Canela garantiu seu calendário com os dois festivais tradicionais - o de teatro e o de teatro de bonecos -, e o conjunto de atrações que visitou a cidade de Porto Alegre ou que aqui foi produzido chega a surpreender. Se o Porto Verão Alegre foi bastante decepcionante pelo excesso de reprises que apresentou, o Porto Alegre em Cena atingiu plenamente seus objetivos, trazendo alguns dos trabalhos mais significativos produzidos na ribalta mundial.

Mas a cidade assistiu também a grupos do interior, como ocorreu logo no início da temporada, com o grupo coreográfico de Suzana Schoellkopf e Márcio Barreto. Também de fora, mas do centro do País, recebemos, ainda em março, o belo trabalho A alma boa de Setsuan. O mês ficaria marcado, contudo, pela estreia de Teresinhas, um dos trabalhos de dança mais bonitos de toda a temporada e que valeu ainda pela gravação de um DVD inesquecível. O trabalho do Grupo Meme, dirigido por Paulo Guimarães, chegou como quem não queria nada e encantou a todos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Teresinhas e entrevista em Rio Grande



















por Fernanda Stein - bailarina e pesquisadora do Grupo Meme (jornalista nas horas vagas!)

No dia 13 de novembro de 2009, o Meme esteve em Rio Grande (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Grande), cidade portuária, localizada no extremo sul do estado. Fomos até lá a convite da Furg e do Geribanda participar do Seminário de Dança Contemporânea Circuitos Diálogos.

Terra natal do diretor e coreógrafo do Meme, Paulo Guimarães (Laco), essa viagem teve um sabor especial, pois o espetáculo apresentado foi “Teresinhas”, obra inspirada em uma Teresinha real e rio-grandina, a mãe do Laco. Com isso em mente, não preciso dizer que além da platéia lotada no auditório da Furg, tínhamos a família Guimarães em peso nas primeiras filas, assistindo cheios de emoção a dança da vida de Teresinha, a sua grande matriarca!

Durante os dois dias que passamos lá, tive a oportunidade de conversar com Daniela Castro, querida amiga desde os tempos iniciais do Meme, em 2004.

Formada em Educação Física e Mestre em Ciências do Movimento Humano, Daniela trocou o agito da capital e voltou para casa, voltou a Rio Grande e é lá que tem desenvolvido o seu próprio trabalho como professora da universidade, além de dirigir e coreografar um grupo de mulheres maduras, o “Baila Cassino – Grupo de Dança Livre”.

Esta entrevista é a tentativa de estabelecer um diálogo com aqueles que estão fora do eixo da capital, fazendo e vivenciando a dança, para que possamos conhecer um pouco melhor a realidade dos grupos no interior do nosso estado.

Entrevista com Daniela Castro – Rio Grande, novembro 2009.

Fala um pouco sobre esse evento que está acontecendo aqui na FURG.

Daniela – Bom, na verdade são dois grandes eventos, a MPU – Mostra de Produção Universitária da FURG e o Geribanda, que é o movimento de arte e cultura na Furg. Dentro do Geribanda, existem alguns focos e neste ano o foco foi a música, o teatro e a dança. Falando mais especificamente da dança, tivemos o seminário de dança contemporânea: Circuito diálogos, que foi a parte da dança dentro do Geribanda. Esse Seminário teve como proposta fazer algumas atividades práticas e oficinas, como a do Daniel Amaro de dança-afro e a do Laco (Paulo Guimarães, coordenador do Meme) que será amanhã de manhã. À tarde, então, foi a vez da Mostra de Dança cuja intenção maior era provocar um pouco a discussão e o diálogo em torno da dança, o que vem sendo feito aqui na cidade. A gente colocou um tema, que foi “Processos de Criação” e os trabalhos poderiam estar ainda em construção, ou seja, as pessoas poderiam trazê-los como estivessem e haveria comentadores para se criar esse diálogo, né? Então dentro disso entrou o Laco, o Alex Almeida que estuda dança-teatro na UFPEL e eu, que venho da Furg. A gente sabia que viriam várias coisas, até porque conhecemos a dança de Rio Grande. Apesar de ser um seminário de dança contemporânea, teve trabalhos de dança clássica, dança de salão, de rua. Mas a gente deixou assim porque, em primeiro lugar, talvez nem acontecesse se a gente fechasse muito e segundo porque a ideia era provocar o diálogo da dança em geral. Acho que foi bem rico, o que a gente já viu... Por que o que acontece? Tem muitas pessoas que são mais cruas, existem escolas menores, que não pensam muito na sua criação, copiam muito, trazem os passos que aprendem nos cursos e depois montam a sua coreografia, ou então escutam aquela musiquinha legal da novela e traz pro palco, então era isso que a gente queria um pouco discutir, né? Talvez ainda não tenha surgido o diálogo que eu imagino, mas acho que o Laco colocou muitas questões para eles refletirem, o que já é um primeiro passo, pensar sobre a sua criação, e depois pontuamos algumas coisas que a gente viu, coisas básicas mas que são decorrentes desse não pensar... Mas o mais importante que aconteceu, mais no finalzinho, quando o pessoal começou a falar mais, foi o medo de se expor que eles foram perdendo, foram falando dos seus trabalhos, e eles mesmos disseram “poxa, que legal poder estar falando sobre isso e poder estar trocando com outros grupos”.

Como são os grupos de dança aqui em Rio Grande?

Os grupos são muito fechados, um briga com o outro, é uma coisa muito de cidade pequena. Existem escolas boas, mas se a fulana vem o outro não vem.. Então foi isso que eu quando pensei nesse seminário, eu quis provocar. Vamos trazer para a Universidade que é um espaço diferenciado e neutro, assim podemos chamar todos para participar, pois não é uma academia sozinha que está promovendo, e vamos ver, quem estiver mais aberto vai aparecer. A intenção é que esse Seminário se repita outras vezes, para que a gente possa, aos pouquinhos, mexer com a dança de Rio Grande.

Tu trabalhas com um grupo de dança, que tu diriges e coreografa. Como é?

O meu grupo eu chamo de “Baila Cassino – Grupo de Dança Livre”, as bailarinas têm mais de 50 anos, e eu coreografo também. Mas eu ainda não cheguei no ponto que eu gostaria com elas, porque elas são muito tradicionais, não aceitam qualquer coisa, acho que já cresceram bastante, já faz 3 anos que trabalhamos juntas. Eu comecei esse trabalho porque eu não tava a fim de me incomodar, então pensei, vou trabalhar com a terceira idade, vou dar umas aulas, sou professora de Educação Física, vou juntar a dança com a ginástica, e vou por aí.... Mas eu me surpreendi, pois começamos a trabalhar e veio delas a proposta de uma primeira apresentação, que era um chá beneficiente só para senhoras, quem sabe a gente faz uma dancinha, uma coreografiazinha? E eu disse, então tá! E a partir dali começamos a desenvolver alguma coisa, eu coreografo, eu não consegui ainda que elas criassem como eu gostaria, que trabalhassem com improviso, porque elas ainda são muito presas ao meu modelo, ainda falam muito “ah, eu não sei dançar, sou gordinha, sou velha”.. então elas precisam daquele modelo na frente para elas copiarem. Mas a gente vai indo assim. Eu tenho uma pessoa que me ajuda, a Ângela, que também dá umas aulas comigo. E a gente, então foi aumentando o numero de apresentações, conseguimos fazer uma apresentação no palco, foi legal, falava da trajetória de vida delas, se chamava “Ritmos da Vida”, uma delas é escritora - a gente tem várias potencialidades aqui - ela escreveu o roteiro, que a gente gravou junto, então tinha a fala dela e depois a dança. O roteiro foi feito em cima das historias delas, e foi representado com os ritmos e as coreografias. Foi super legal, elas adoraram, elas amam essa apresentação, querem repetir. Eu já tinha deixado de lado para fazer outras mas elas querem retomar.

Quantas pessoas têm no grupo?

Tem 15, em média.. Este ano organizamos um evento para a maturidade, vai ter uma mostra com outros grupos. Eu comecei a incentivar que elas assistissem outros grupos, algumas delas vieram aqui hoje para as oficinas, e tudo isso fez com que elas começassem a abrir mais os olhos para a dança, viver mais o mundo da dança, se sentir bailarinas, e isso eu acho super legal, até me emociono.... porque eu vejo uma senhora de 70 anos dizendo “ah eu sou bailarina, sou bailarina”. Recentemente fomos a Bagé. E elas sentiram que eram velhas, que não tem muita gente velha dançando, se sentiram um pouco um peixe fora d’água. Aí eu disse, vamos fazer um evento só para a idade de vocês, vamos juntar outros grupos que conhecemos e semana que vem está acontecendo, dias 21 e 22 de novembro. Já temos 6 grupos que vão se apresentar.

Todos aqui de Rio Grande?

Tem um de Pelotas e o resto é de Rio Grande. E fora os grupos, tem muita gente se inscrevendo para as oficinas, palestras, almoço. Estamos conseguindo agregar além das bailarinas, pessoas que querem ver um pouco de dança. Vai ter oficina de alongamento, de dança de salão, oficinas que permitem quem não tem experiência na dança fazer.

Um ultima pergunta: como tu vês o diálogo e a troca de informação entre Porto Alegre e Rio Grande? Como funciona esse intercambio?

Eu acho que ele existe, mas é pouco... a gente mora num lugar que é longe, chega pouca coisa aqui. O que a gente mais sabe, geralmente, é pela Zero Hora, o que chega pelo jornal. Na televisão praticamente não passa nada de dança, principalmente de grupos locais. Eu assisto muito o Canal SESC, mas é mais sobre grupos de RJ e SP. Claro, como eu sou ligada em dança, eu tenho meu mailing, recebo muita coisa, fico sabendo o que está acontecendo em Porto Alegre, agora mesmo recebi email sobre o Mesa Verde, vi que o Meme está envolvido, eu fico sabendo e vou falando.

Mas é um fluxo complicado então?

Exatamente, é complicado. Eu tento estimular ao máximo as minhas alunas a irem a Festivais, apresentações. Trazer para cá é outra coisa difícil. A cidade não é tão pequena, mas não vive a cultura, não é uma cidade cultural, é difícil fazer as pessoas participarem, existe uma resistência grande. Por exemplo, há tempos o Luiz Henrique e eu, tentávamos trazer o Meme, e era difícil. Quando surgiu essa oportunidade aqui na Universidade eu disse: vamos trazer. Por que não dá para ficar dependendo dos teatros, dos patrocinadores, a coisa não anda.

Bem, muito obrigada, parabéns pelo trabalho!


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Festival Internacional de Dança Mesa Verde

De 15 a 22 de novembro teremos, em Porto Alegre, o Festival Internacional de Dança Mesa Verde, trazendo à cidade uma vasta programação dentre espetáculos, debates e oficinas. O Grupo Meme tem o prazer de participar deste evento com o trabalho Acessos.
Segue abaixo o link para o site do Festival e transcrição da apresentação do Festival, por seus organizadores.
"O público de Porto Alegre, durante oito dias de novembro de 2009, será testemunha do nascimento de um festival internacional de dança contemporânea.
De início poderá estranhar seu nome, para depois entender o porquê desta escolha. Durante esses oito dias, vai acompanhar nos teatros da cidade e se deparar no seu cotidiano com espetáculos surpreendentes em sua diversidade e riqueza de linguagem.

Da mesma forma, os profissionais, estudantes, professores de dança, durante esses oito dias, poderão usufruir de um espaço de encontro que talvez tenha demorado a ser criado, tendo em vista o crescimento expressivo da dança contemporânea nas últimas décadas no Rio Grande do Sul.

O Festival Internacional de Dança Mesa Verde nasceu do desejo de intercâmbio de um núcleo, formado por artistas e profissionais ligados à arte e à cena gaúcha, que vem trabalhando junto há três anos e se organizou na Associação Cultural CENA21 – entidade sem fins lucrativos que aposta na capacidade dos artistas darem forma aos seus projetos e realizá-los; nasceu também da convicção de que um espaço como o do MESA VERDE (*) – com sua ênfase na dança teatral, mas aberto à diversidade das demais opções estéticas da dança contemporânea, pode sistematizar o diálogo e as confrontações temáticas e estéticas que são determinantes para o desenvolvimento e o fortalecimento desse segmento das artes cênicas no Rio Grande do Sul.

A intenção é tornar o MESA VERDE um encontro bienal, o que somente ocorrerá com o diálogo entre Companhias e a receptividade de agentes públicos e privados que compreendam e apóiem de forma continuada esta iniciativa – o que já ocorreu de forma expressiva e animadora nesta edição inaugural.

Os Organizadores
Porto Alegre, novembro de 2009.

(*) O título faz alusão à célebre criação do coreógrafo Kurt Jooss, de 1932, e que se tornou momento emblemático na história da dança-teatro."

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Os bonecos de Charleville

















15◦ Festival Mundial de Marionetes – Charleville – Mézière – França

No dia 18 de setembro de 2009 tive a oportunidade de estar presente no primeiro dia do Festival Mundial de Marionetes que acontece de três em três anos na pequena cidade francesa de Charleville – Mézière na bela região de Champagne Ardenne no noroeste da França e às margens do Rio Meuse. Charleville é conhecida por ser a cidade onde nasceu e cresceu o famoso poeta Artur Rimbaud (1854 – 1891) e hoje abriga um museu que leva o seu nome e conta a história de sua breve e intensa vida.

Além de Rimbaud, Charleville é famosa por ser um centro internacional de estudos relacionados à arte de trabalhar com bonecos e objetos. É lá que fica o “Institut International de la Marionnette e a Ecole Nationale Supérieure des Arts de la Marionnette” (http://www.marionnette.com/) tendo sido o Instituto estabelecido em 1981 e a Escola em 1987. Esta é a única escola de marionetes em toda a França e tem um período de estudos de três anos, recebendo estudantes de vários países do mundo.

O Instituto é também um pólo de pesquisa e possui uma completa biblioteca e central de vídeos.

Foi através de um projeto de pesquisa e de uma consequente bolsa de estudos que em julho de 2005 fiquei conhecendo de perto a cidade e este magnífico pólo de artistas. Minha pesquisa buscava aprofundar a relação entre o bailarino / performer e a manipulação de objetos de cena. Uma vez em Charleville tive a oportunidade de não apenas usufruir da biblioteca e da central de vídeos, como também participar da Oficina- Montagem “O Objeto Sonoro e seus Ritmos” com os professores Dominique Montain e Henry Ogier que culminou numa apresentação no aconchegante teatro no subsolo da Escola.

Além de todo aprendizado artístico, este tipo de experiência proporciona um excelente intercâmbio entre artistas de variados cantos do mundo uma vez que abrigamos a mesma residência e vivemos intensamente não só a Oficina mas outros momentos do dia como o café da manhã, por exemplo. Conheci e trabalhei lado a lado com artistas da Itália, África do Sul, Bélgica, França, entre outros.

Por esse motivo, quando soube que estaria na França no primeiro dia do Festival, mudei meus planos de viagem e tomei o trem de Paris até Charleville (2 horas).

Já no trem se percebia a atmosfera de Festival! Alguns artistas com seu bonecos iam na mesma direção. Chegando lá, minha mochila e eu fomos até a conhecida Place Ducalle, coração da cidade e onde meu amigo Mickael estava trabalhando em uma barraquinha vendendo bonecos e outros apetrechos. Bastou a breve caminhada pela rua principal para sentir a energia que começava a tomar conta de toda cidade. Enfeitada com bandeiras de países do mundo todo, a sensação que se tinha é que se estava entrando em um mundo mágico e colorido, habitado por seres humanos e por diversos bonecos de todas as formas, cores e tamanhos. As vitrines das lojas ficam decoradas com os mais criativos “puppets” deixando clara a adesão da cidade e dos seus cidadãos ao Festival, que traz milhares de turistas e com certeza movimenta muito o comércio de Charleville. Grupos de crianças em idade escolar passeavam de mãos dadas maravilhadas com as performances que acontecem espontaneamente em todas as esquinas e ruas paralelas. Além da programação oficial do Festival, a cidade conta com os espetáculos “off “ que ajudam a deixar o clima ainda mais festivo e rico. Minha amiga Maíra Coelho, renomada artista de Porto Alegre, estava lá com o seu Titeretoscópio, apresentando o espetáculo O Equilibrista que pode ser visto apenas por uma pessoa cada vez. Foi muito bacana acompanhar o processo de montagem e de apresentação dela e de seu parceiro catalão Adrià nas ruas de Charleville, e observar a reação de crianças e adultos ao assistir o show.

A Place Ducalle era um espetáculo a parte, tomada por barracas coloridas, bonecos espalhados pelos bares e restaurantes, performances que aconteciam a todo instante, a energia festiva de uma cidade respirando arte e abrindo espaço para toda uma população de bonecos e figuras fantásticas, contagiando velhos e crianças, adultos de todas as idades, criando um espaço único de comunhão entre arquitetura, história, pessoas e marionetes, como se fosse uma espécie de sonho...

Ao entardecer, as luzes do pôr-do-sol me encheram de uma felicidade de difícil descrição. Sentamos na barraquinha do Mickael, artistas do Brasil, da Espanha, Cuba, Canadá e França. Formamos por algumas horas a nossa pequena comunidade internacional artística, bebendo uma cerveja e falando de arte. De vez em quando, um cortejo de performers passava por nós e lá ia eu correndo atrás, querendo segurar essa vivência no meu coração para sempre. Compartilhar é reviver. Espero ter conseguido, neste breve relato pessoal, trazer um pouco da atmosfera deste incrível festival. Quem tiver interesse em saber mais sobre a Escola e o Instituto ou sobre o período que vivi em Charleville, entre em contato nandastein@hotmail.com. Estarei sempre disponível para ajudar e orientar outros artistas que tenham vontade de fazer este intercâmbio!

Au revoir et a bientôt!

Fernanda Stein

Bailarina e pesquisadora do Grupo Meme de Pesquisa do Movimento


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Cultura a R$ 50 por mês‏

Presidente Lula assina amanhã projeto de lei que cria o Vale Cultura, benefício concedido ao trabalhador nos moldes do Vale Transporte e do Ticket RefeiçãoVale Transporte, Ticket Refeição e... um Vale Cultura de R$ 50 mensais para o trabalhador gastar em cinema, teatro, shows ou livros. Não estranhe. O novo bene­fício é de fato concreto e começa a se tornar realidade amanhã, quando o presidente Lula assinará e enviará ao Congresso o projeto de lei que institui o Vale Cultura. Participam da cerimônia, às 18h, no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, os ministros Juca Ferreira, da Cultura, e Dilma Rousseff, da Casa Civil.Na verdade, já existe um Vale Cultura tramitando no Congresso. Apesar de ter sido aprovado em todas as comissões pelas quais passou, porém, o projeto, de autoria do deputado Múcio Monteiro (PTB-PE), emperrou numa questão legal: o texto pedia a criação de uma despesa orçamentária extra, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Foi por isso que o Ministério da Cultura (MinC) criou um substitutivo – que já incorporou os aprimoramentos sugeridos ao anterior, ressalta o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Roberto Nascimento.– Não queremos autoria, mas apenas que o Vale Cultura aconteça – diz. – Será um passo fundamental para acabar com a exclusão cultural existente no Brasil.Na prática, vai funcionar assim: o trabalhador que ganha até cinco salários mínimos vai receber um tíquete, nos moldes dos vales refeição e transporte, todos os meses, no valor de R$ 50; 10% dessa quantia pagos pelo próprio beneficiário e 90%, pela sua empresa – mas que poderão ser abatidos por meio de renúncia fiscal, desde que a soma relativa a todos os funcionários não ultrapasse 1% do total pago por essa empresa em Imposto de Renda. O empregador que quiser disponibilizar o vale aos seus empregados que recebem mais que cinco salários mínimos também poderá fazê-lo – desde que todos aqueles com renda inferior já estejam sendo beneficiados ou, se assim preferirem, tenham se manifestado recusando o benefício.A expectativa, projeta Roberto Nascimento acreditando na “sensibilidade dos empresários em qualificar a sua mão de obra e em colaborar para o engrandecimento da produção cultural brasileira”, é de que a maior parte dos 12 milhões de empregados aptos recebam o Vale Cultura. E, assim, até R$ 600 milhões sejam injetados mensalmente no mercado cultural – ou R$ 7 bilhões ao ano, sete vezes mais que o total investido anualmente pelas empresas em projetos culturais via Lei Rouanet.Dada a quantidade de apoios que o projeto tem recebido – Nascimento acredita haver um “consenso nacional em torno do Vale Cultura” –, o MinC espera que a lei tenha tramitação rápida e possa entrar em ação ainda neste ano.
DANIEL FEIX
Três dúvidas sobre o Vale Cultura:
Qualquer loja, cinema ou instituição cultural aceitará o tíquete? Detalhes da lei ainda dependem de normatização, mas o MinC quer um mecanismo como o dos Ticket Refeição – empresas produzirão um cartão magnético que será usado em instituições credenciadas. A ideia é que todas as lojas de discos, livrarias, museus, teatros e cinemas estejam nesta lista. Se não gastar os R$ 50 num mês, o trabalhador pode fazê-lo nos meses seguintes.
Um trabalhador pode burlar a lei e usar o cartão em outras compras? “Se fizer isso cometerá um crime”, alerta Roberto Nascimento, que acredita que qualquer troca por produtos não-culturais consistirá em algo que represente uma “perda pequena, como ocorre com o Ticket Refeição”.
A quantia de R$ 50 não é pequena dados os valores dos produtos culturais? O MinC concorda que sim, mas acredita que este é um primeiro passo para resolver o problema do acesso à cultura no país. “Mais de 90% dos brasileiros nunca foram ao teatro ou ao museu”, lembra o secretário do ministério. “Com R$ 50 por mês essas pessoas podem dar início ao processo de reversão desse número alarmante”.

Fonte: Zero Hora - 22/7/2009 - Segundo Caderno