quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

MEME promove bate–papo entre artistas

No último dia 05 de fevereiro, o CENTRO MEME abriu suas portas para receber artistas dos mais variados segmentos e professores de diferentes universidades para bater um papo informal sobre arte e sobre o fazer artístico em espaços alternativos.

Como convidado para abrir essa conversa, tivemos o Prof. Dr. Márcio Pizarro, da Universidade Federal de Goiás, que nos falou um pouco sobre algumas das suas atuais áreas de pesquisa e de trabalho, como por exemplo o grupo de estudos do CNPQ "Interartes" que trata de processos interartísticos e performance. Márcio lançou alguns assuntos para serem debatidos, apontando a necessidade de se pensar em programas curatoriais em eventos de artes cênicas que fujam dos moldes dos Festivais tradicionais e que dêem continuidade aos processos de pesquisa.

Outro conceito mencionado diz respeito à criação de programas de arquivos e bibliotecas num formato mais fluido e que sirvam como um espaço alternativo onde aconteça sistematicamente a recuperação da memória da dança e das outras artes. Esses arquivos poderiam ser também chamados de "Centros de Pesquisa" e estariam abertos à sociedade.

A conversa então se abriu ao grupo ali presente.

Paulo Guimarães perguntou como "efetivamente estabelecer diálogos reais entre áreas diferentes"?

Eny Schuch salientou a importância do cruzamento destas linguagens entre simpatizantes de um mesmo ponto de vista, de forma a se criar uma proposta de ação. Niúra Borges lembrou da experiencia do Grupo A-Paralelos, onde artes visuais e dança convivem em harmonia.

Diônio Kotz disse acreditar que falta desprendimento para o diálogo e que num primeiro momento seria fundamental que as pessoas se conhecessem melhor, só assim viabilizando um real intercâmbio com troca de informações e o surgimento de possíveis parcerias.

O encontro contou também com a presença de Lisete Vargas professora da UFRGS e coordenadora do primeiro curso de Licenciatura em Dança em Porto Alegre. A primeira turma começará as aulas em março e Lisete colocou à disposição o espaço da universidade para futuros encontros e também para uso da biblioteca. A aula inaugural será dada pela prof. Morgada Cunha.

A musicista Laura Leiner falou um pouco sobre a sua experiência no mercado de trabalho informal, pontuando que quanto mais organizados estivermos, mais trabalho haverá para todos, criando, assim, uma espécie de "informalidade organizada".

O bate-papo terminou com a vontade de que novos encontros aconteçam. Oxalá essas novas esferas se consolidem promovendo um espaço onde exista um franco diálogo entre artistas da cidade de Porto Alegre!




Participaram do bate-papo:


Márcio Pizarro (psicanalista, dr. em história e antropologia, UFG)

Paulo Guimarães (bailarino, coreógrafo e diretor do Centro Meme)

Fernanda Stein (bailarina do Grupo Meme)

Miguel Sisto Jr. (bailarino do Grupo Meme)

Tiago Rinaldi (músico e produtor do Grupo Meme)

Lisete Vargas (UFRGS – Faculdade de Dança)

Eny Schuch (UFRGS - IA)

Diônio Kotz (Academia Mudança)

Niura Borges (UFRGS – IA)

Jaqueline Pinzon (diretora do Grupo Constatin)

Maurício Casiraghi (ator do Grupo Constatin)

Iassanã Martins (atriz do Grupo Constantin)

Laura Leiner (musicista)

Angelica Bersch Boff (bailarina e historiadora)

Rosemary Brum (UFRGS)

Tainá Borges (artista circense)

Cassiano Pellenz (ator)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

PROJETO EDUCAR DANÇANDO




No último Espaço Improviso, promovido pelo Centro Meme, quem lá esteve assistiu às performances das meninas da Comunidade Rubem Berta, que fazem parte de um grupo de dança coordenado pela educadora física Vanice Loose. A seguir, uma breve e interessante entrevista onde ela nos conta como iniciou este trabalho, quais as suas metas e os seus desafios!
entrevista de Fernanda Stein


Vanice, fala um pouco de ti e do teu trabalho.
Meu nome é Vanice Loose e sou professora de Educação Física (UNISINOS) com Pós-Graduação em Psicomotricidade(PUC).
Desde 1990 trabalho com crianças e adolescentes na área de atividades físicas e desenvolvendo projetos na área cultural nas escolas. A busca constante por uma educação física diferenciada me acompanha desde o início do curso, a dança e o teatro são uma consequência destes trabalhos. O aluno sente necessidade de expressar suas emoções e uma das possibilidades é a dança e a outra é o teatro, além do jogo que os mesmos estão acostumados a realizar em aula.
Criar um espaço para vivenciar a dança é a proposta inicial e a partir desta criar outros espaços como grupo construindo respeito, responsabilidade, sociabilidade, auto- estima e principalmente um cidadão atuante.

Como surgiu a idéia de formar um grupo?
A idéia surgiu da necessidade das crianças em fazer algo diferente em conjunto com a minha de fazer algo por nós, enquanto comunidade escolar. Em 2006 as aulas iniciaram de forma tímida e em horários diversos de acordo com o meu tempo disponível na escola. Surgiram então as parcerias, com os pais mais atuantes e presentes no projeto e com o MEME. A relação do grupo com o MEME ocorreu através de oficinas mediadas por Paulo Guimarães, também em 2006, e muitos do grupo muitas vezes não podiam ir por falta de "grana" .
Hoje em 2008, passados 3 anos estamos aqui, firmes e fortes com o que restou do grupo com uma aula semanal nas terças-feiras e já conquistamos muita coisa juntos, como: a camiseta do grupo através de uma rifa, sair do espaço só da escola Júlio Brunelli, participar do Sarau do MEME e de um Seminário na UFRGS.
Como é a estrutura de vocês para trabalhar e quais algumas das dificuldades?
Temos estrutura básica: uma sala ampla, um som e uma hora semanal para ensaiar. Mas nos falta orçamento para poder pagar um micro ou uma van pra sair da escola e participar de eventos (temos que ir de ônibus de linha), os horários de saída tem que ser adequados tanto pra mim quanto para elas, para a professora porque o horário escolar é de 40hs semanais e para as alunas a noite fica complicado pelo alto índice de periculosidade da comunidade. Tudo deve ser muito bem planejado e bem pensado por todos, professora, pais e alunos.
Sabemos das nossas dificuldades e elas só nos mostram que temos que batalhar um pouco mais, mas que mais cedo ou mais tarde chegaremos lá.

Como tu poderias avaliar a mudança destas meninas desde que começou o grupo?
Quanto a mim acredito que elas melhoraram muito em vários aspectos, mas achei interessante colocar a opinião delas mesmas já que fazemos tudo juntas.
“Eu acho depois que eu entrei para o grupo de dança, eu me tornei uma pessoa mais desinibida, mais comunicativa, conheci pessoas novas e diferentes. Adoro dançar desde pequena, por isso resolvi entrar no grupo e estou nele até hoje, porque faço o que gosto.”
Viviane (14 anos)


“Bom, pra mim tudo mudou, eu aprendi bastante e aprendi a confiar mais em mim. Em meu conceito, o grupo de dança ajudou todas nós. A gente tem mais atitude do que no começo. Eu tiro o chapéu pra “profe”, ela é 10.”
Stephanie (14 anos)

“Eu resolvi entrar na dança, porque minha saúde iria mudar e junto com isso meu corpo melhorou também. Eu gosto muito de dançar, tinha muita vergonha de todos e não gostava disso. Agora nas apresentações ou até mesmo na sala de aula não tenho mais vergonha, minha auto estima mudou e estou mais confiante. Tudo isso por causa da dança.”
Alessandra (13anos)


“Eu acho que mudou muita coisa na minha vida, minha postura,minha força de vontade na escola, meus hábitos em casa, uma vontade de me arrumar mais e mostrar quem eu realmente sou. Gostar mais das pessoas e aceitá-las como elas são e estão.”
Carolline Gularte da Silva (15 anos)


“Melhorou a minha vida que antes era sedentária. Me incentiva a fazer outras coisas. Me interessei mais por dança. Antes eu era mais fechada com as pessoas e agora já estou mais "sem vergonha".
Jamile (13 anos)


“Quando eu entrei na Dança, mudou muita coisa, antes eu era envergonhada, errava os passos e tinha vergonha. Aprendi a olhar outras culturas.”
Ariel Santos(13 anos)

Todas estas impressões que ficaram e que ficam com estas meninas é a prova maior de que as mudanças são possíveis, lentas, quase imperceptíveis mas que no final do processo fazem a diferença.


Quais são os projetos do grupo para 2009?
Quanto a 2009 pretendemos continuar os nossos encontros semanais, existe a proposta da aumentar estes encontros, possibilidade de ampliar o grupo e também de transformar estas meninas em multiplicadoras trabalhando com os "pequenos" do primeiro ano. Sem dúvida continuar nossas parcerias e quem sabe poder ampliá-las e muito mais que tudo isso que foi dito permanecer com o nosso lema, ser feliz fazendo o que gosta e ensinar isso aos outros.
Como nosso nome fala por si só, PROJETO EDUCAR DANÇANDO.
Desde já agradecemos a oportunidade e esperamos por outros momentos compartilhados
Beijos
Fani






















quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Carta aberta à governadora do RS

Se tu concordas com estas idéias, por favor, repassa, divulga à sociedade!


Senhora Governadora,

Sou artista plástica e professora de História e Teoria da Arte, atuante na cidade de Porto Alegre.

Por ocasião da exposição que inaugurei na Galeria de Arte da FUNDARTE, em outubro último, e ao participar de conferência no Seminário Nacional em Arte Educação , promovido por aquela instituição na mesma época, tomei consciência da iminente desativação do curso de graduação em artes da FUNDARTE/UERGS, sediada em Montenegro.

O que vi e ouvi a esse respeito da parte de professores, pesquisadores, estudantes e participantes do seminário, oriundos de todo o Brasil, senhora governadora, deixou-me constrangida de pertencer ao estado sob sua gestão.

Atuando em Porto Alegre , oriento estudantes, artistas e professores de diversas regiões do Rio Grande do Sul e pude testemunhar a iniciação profissional de jovens graduados pela FUNDARTE que ingressam na comunidade de artistas e professores com o entusiasmo de quem sai de uma escola qualificada e da qual se orgulha.

Pergunto-lhe: já esteve na FUNDARTE? Dialogou com seus alunos e professores? Tem idéia do trabalho que realizam e da contribuição que, em seus poucos anos, a graduação da FUNDARTE proveu, em âmbito estadual? Tem ciência do nível de qualificação dos professores, que, por falta de perspectiva naquela instituição, têm-se colocado entre os primeiros classificados em concursos para instituições federais de ensino de nível superior? Está consciente da demanda pendente entre os jovens estudantes desde que a senhora deixou de autorizar novos concursos vestibulares?

Por omissão ou protelação – ambas inaceitáveis como justificativa do fechamento de uma instituição pública de ensino –, o concurso que regulamentaria o quadro de professores da FUNDARTE junto à UERGS permanece sem data para efetivar-se. Da mesma forma, os concursos vestibulares para ingresso de novos alunos permanecem sem previsão de realização. Não havendo quadro de professores e tampouco alunos para dar início a mais um ano letivo, parecerá justificada a desativação do curso. Será essa a conclusão a que a senhora espera que chegue a classe educadora e cultural de nosso estado? Seremos assim tão ingênuos a seus olhos?

Pessoalmente, senhora governadora, ainda me encontro sob o impacto da notícia a respeito de escolas do ensino fundamental fechadas em municípios do interior do estado sob o pretexto de falta de alunos, argumentado pela Secretaria Estadual de Educação. Para agravar essa impressão de abandono e indiferença por parte do Governo do Estado, os jornais de grande circulação divulgam a inexplicável demora na nomeação de um novo diretor da FAPERGS, o que deixou nossa principal instituição de fomento à pesquisa praticamente inativa ao longo de 2008.

Será essa a marca que seu governo deixará na educação e na pesquisa?

A desconstrução? O descaso? A imobilidade?

Desculpe-me a sinceridade, senhora governadora, mas ouso afirmar que, sem ações que evidenciem o contrário, tenderei a concluir que seu governo objetiva a imobilidade administrativa que flagela nossas instituições educacionais.

Esta carta é, também, uma manifestação de solidariedade para com aqueles estudantes que tristemente vêem anulada a instituição que os formou e aqueles que já não poderão candidatar-se a ela em um próximo concurso vestibular. Minha solidariedade dirige-se aos colegas artistas e professores da FUNDARTE que transferiram suas vidas das cidades de origem para se tornarem cidadãos de Montenegro, cidade que os abraçou nesse projeto que seu governo está em vias de extinguir por absoluta falta de ação. Minha solidariedade é para com a educação e a formação artística qualificadas que perdem terreno em nosso estado, sob sua gestão.

Senhora governadora, seja na qualidade de artista, palestrante, ensaísta ou professora, atuando junto a artistas, estudantes, professores e pesquisadores em artes, serei mais uma a assumir o compromisso de sensibilizar nossa comunidade em relação à triste realidade que presenciei em Montenegro.

Maria Helena Bernardes

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Nossa canção concorre na 11ª Edição do Festival de Música de Porto Alegre

Entoncês! É Meme pra tudo que é lado!

Estamos, desde já, inscritos no 11º Festival da Música de Porto Alegre, que acontece de 30/10 a 2/11 no Teatro de Câmara Túlio Piva, a partir das 19h30. "Linha", canção de Tiago Rinaldi para o Espetáculo Teresinhas, de Paulo Guimarães, concorre como melhor música, intérprete, instrumentista, letra, arranjo e interpretação.

A apresentação do moço será dia 31 de outubro, sexta-feira, previsto para as 22h30. Quem quiser conferir e se unir à torcida é bom chegar cedo, pois a lotação do teatro é pequena.

Como sempre, além dos concorrentes, o festival conta com shows durante todas as noites, com talentos revelados pelo próprio festival. Este ano o evento conta com o show da Banda Raio Choque (30/10), Alvo do Sistema (31/10), Renata Adegas (01/11) e Pública (02/11), que encerra o Festival.

Para quem ainda não assistiu ao espetáculo, segue abaixo o clipe da música, produzido pela colateral filmes, de Porto Alegre.

Mas Bah!!! Merda pro Tiaguito e pro seu violão!!!

GrupoMEME


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sindbancários inaugura sala de cinema no centro de Porto Alegre!


Na última terça-feira, dia 14 de outubro, foi inaugurado o CineBancários, sala de cinema que tem como objetivo valorizar a produção cinematográfica do Rio Grande do Sul, do Brasil e do Mercosul.

Com uma programação que prioriza ciclos e mostras de filmes de curta e longa metragem nacionais, películas que marcaram a história do cinema no mundo e cuja produção tenha origem no Mercosul, a sala pretende ser um espaço voltado para debates sobre os grandes temas da humanidade, a partir da criação audiovisual.

Localizada na rua da Ladeira (Rua General Câmara, 424), entre o Teatro São Pedro e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a sala é equipada com modernos equipamentos de som e imagem, com ambiente climatizado, e tem capacidade para 83 pessoas. A obra foi executada com recursos obtidos por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Petrobras e o Banrisul.

Além disso, o público terá acesso a ingressos a preços especiais e valores diferenciados para bancários sindicalizados, estudantes, menores de 12 anos e maiores de 60 anos de idade, com valor de R$ 5,00 a inteira e R$ 2,50 a meia - de terça a domingo.

A iniciativa faz parte do projeto do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), eu visa criar um novo complexo cultural e de cidadania voltado para quem circula no Centro da Capital.

A Sala CineBancários, que foi aberta ao público no dia 15/10, inaugura sua tela com o ciclo CINEMA e TRABALHO, com uma seleção de vinte filmes entre clássicos e contemporâneos. Veja o programa clicando aqui ou peça pelo emailcinebancarios@sindbancarios.org.br.


SERVIÇOS

.: A sala
Ambiente com ar climatizado;
81 poltronas;
Dois lugares para cadeirantes;
Projetor Multimídia com sistema Blue Ray;
Projeção 35mm;
Som Dolby Digital 5.1;
Palco Multiuso

.: Ingressos:
Público em geral: R$ 5,00
Estudantes, idosos acima de 60 anos e bancários sindicalizados: R$ 2,50

.: Funcionamento:
De terça a domingo

Sessões:
De terça à sexta: 14h30, 16h30 e 18h30
Sábados e domingos: 15h, 17h e 19h

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A cereja do bolo?


Sempre me interessei por política e por dança. Mas nunca parei para pensar nos dois juntos. Até agora.

Em 1982, fui redatora-chefe da “Gazetinha”, jornalzinho da minha turma de 4 série do Ensino Fundamental. Escrevi um texto sobre as eleições para governador do estado, as primeiras desde muito tempo, pois ainda estávamos em período de ditadura militar.

Em 1985, acompanhei atentamente o drama de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil eleito depois de muitos anos. Tá certo que não foram eleições diretas, mas mesmo assim, o povo brasileiro vibrou muito com a sua vitória e nele depositava grandes esperanças.

Uma noite, no hotel Plaza São Rafael, me deparei com uma comitiva de políticos do PDT. Tancredo estava já internado e ninguém sabia de fato quais eram as chances dele sobreviver e ocupar a presidência. Eu tinha 12 anos. Caminhei até Leonel Brizola e perguntei a ele como estava o presidente. Lembro que ele me recebeu muito educadamente, conversamos sobre a situação do país ligeiramente e então ele olhou para os outros que estavam ao seu redor e disse: “aqui está a futura prefeita de Porto Alegre!!!”

Outubro 2008 – Porto Alegre teve 4 candidatas à prefeitura e eu não era nenhuma delas. Minha experiência com a política esvaneceu com o fim do meu período na Universidade. Muita campanha eleitoral fiz, muitas bandeiras carreguei, mas muito além disso não fui.

Quinta-feira passada, assisti ao debate dos candidatos a prefeito de Porto Alegre na RBS TV. E uma coisa começou a “gritar” nos meus ouvidos: ei! Vocês aí, senhores e senhoras candidatos!!! E quais são os seus projetos para a arte?? Não houve resposta. Dentre todos os tópicos de perguntas, nenhum deles dava abertura para que se falasse pelo menos um pouquinho sobre o papel da arte e da cultura em um governo. Ok, ok.... Eu sei que saúde, educação, transporte coletivo, desenvolvimento econômico etc, são assuntos de primeira importância. Muitos até diriam que arte é a cereja no topo do bolo, ou seja, é um enfeite, um toque de elegância para uma sociedade que já tenha tratado de seus outros problemas e possa se dar ao luxo de desfrutar de um espetáculo de música, teatro ou dança.

Será? Será que somos mesmo uma mera cereja? Nada contra a cereja, mas acredito que podemos e somos também capazes de ocupar outras partes desse bolo. Projetos artísticos podem muito bem transformar uma comunidade, tirar crianças das ruas, educar o cidadão, ampliar os horizontes, andar lado a lado com outros projetos de saúde e educação e até de desenvolvimento. Uma cidade precisa cuidar bem de seus artistas e dar oportunidades reais para que se criem outros, para que haja renovação e que esta renovação não aconteça somente nas elites que tem poder aquisitivo para pagar por aulas ou ir ao Teatro São pedro, nem que fique restrita à panelinhas.

Eu gostaria de ouvir, agora nesse segundo turno, as propostas de Fogaça e Maria do Rosário para a arte a a cultura. Gostaria de saber que a minha cidade tem projetos sociais que levam tudo isso em consideração.

Queremos fazer parte da discussão. Queremos ser a cereja e também o bolo.

Fernanda Stein

www.fernandastein.blogspot.com