Trazendo diferentes expressões artísticas para um diálogo aberto, o Grupo de Pesquisa do Movimento desenvolve espetáculos, laboratórios, espaços-improviso, performances, debates, palestras, sempre valorizando processos de criação artística e buscando uma linguagem própria e poética para a dança.
Criado em janeiro de 2004, por Paulo Guimarães, bailarino da Quasar Cia. de Dança (1998 a 2003), atualmente o Grupo reside no MEME - Centro Experimental do Movimento, em Porto Alegre – RS.
De 15 a 22 de novembro teremos, em Porto Alegre, o Festival Internacional de Dança Mesa Verde, trazendo à cidade uma vasta programação dentre espetáculos, debates e oficinas. O Grupo Meme tem o prazer de participar deste evento com o trabalho Acessos.
Segue abaixo o link para o site do Festival e transcrição da apresentação do Festival, por seus organizadores.
"O público de Porto Alegre, durante oito dias de novembro de 2009, será testemunha do nascimento de um festival internacional de dança contemporânea. De início poderá estranhar seu nome, para depois entender o porquê desta escolha. Durante esses oito dias, vai acompanhar nos teatros da cidade e se deparar no seu cotidiano com espetáculos surpreendentes em sua diversidade e riqueza de linguagem.
Da mesma forma, os profissionais, estudantes, professores de dança, durante esses oito dias, poderão usufruir de um espaço de encontro que talvez tenha demorado a ser criado, tendo em vista o crescimento expressivo da dança contemporânea nas últimas décadas no Rio Grande do Sul.
O Festival Internacional de Dança Mesa Verde nasceu do desejo de intercâmbio de um núcleo, formado por artistas e profissionais ligados à arte e à cena gaúcha, que vem trabalhando junto há três anos e se organizou na Associação Cultural CENA21 – entidade sem fins lucrativos que aposta na capacidade dos artistas darem forma aos seus projetos e realizá-los; nasceu também da convicção de que um espaço como o do MESA VERDE (*) – com sua ênfase na dança teatral, mas aberto à diversidade das demais opções estéticas da dança contemporânea, pode sistematizar o diálogo e as confrontações temáticas e estéticas que são determinantes para o desenvolvimento e o fortalecimento desse segmento das artes cênicas no Rio Grande do Sul.
A intenção é tornar o MESA VERDE um encontro bienal, o que somente ocorrerá com o diálogo entre Companhias e a receptividade de agentes públicos e privados que compreendam e apóiem de forma continuada esta iniciativa – o que já ocorreu de forma expressiva e animadora nesta edição inaugural.
Os Organizadores
Porto Alegre, novembro de 2009.
(*) O título faz alusão à célebre criação do coreógrafo Kurt Jooss, de 1932, e que se tornou momento emblemático na história da dança-teatro."
15◦ Festival Mundial de Marionetes – Charleville – Mézière – França
No dia 18 de setembro de 2009 tive a oportunidade de estar presente no primeiro dia do Festival Mundial de Marionetes que acontece de três em três anos na pequena cidade francesa de Charleville – Mézière na bela região de Champagne Ardenne no noroeste da França e às margens do Rio Meuse. Charleville é conhecida por ser a cidade onde nasceu e cresceu o famoso poeta Artur Rimbaud (1854 – 1891) e hoje abriga um museu que leva o seu nome e conta a história de sua breve e intensa vida.
Além de Rimbaud, Charleville é famosa por ser um centro internacional de estudos relacionados à arte de trabalhar com bonecos e objetos. É lá que fica o “Institut International de la Marionnette e aEcole Nationale Supérieure des Arts de la Marionnette” (http://www.marionnette.com/) tendo sido o Instituto estabelecido em 1981 e a Escola em 1987. Esta é a única escola de marionetes em toda a França e tem um período de estudos de três anos, recebendo estudantes de vários países do mundo.
O Instituto é também um pólo de pesquisa e possui uma completa biblioteca e central de vídeos.
Foi através de um projeto de pesquisa e de uma consequente bolsa de estudos que em julho de 2005 fiquei conhecendo de perto a cidade e este magnífico pólo de artistas. Minha pesquisa buscava aprofundar a relação entre o bailarino / performer e a manipulação de objetos de cena. Uma vez em Charleville tive a oportunidade de não apenas usufruir da biblioteca e da central de vídeos, como também participar da Oficina- Montagem “O Objeto Sonoro e seus Ritmos” com os professores Dominique Montain e Henry Ogier que culminou numa apresentação no aconchegante teatro no subsolo da Escola.
Além de todo aprendizado artístico, este tipo de experiência proporciona um excelente intercâmbio entre artistas de variados cantos do mundo uma vez que abrigamos a mesma residência e vivemos intensamente não só a Oficina mas outros momentos do dia como o café da manhã, por exemplo. Conheci e trabalhei lado a lado com artistas da Itália, África do Sul, Bélgica, França, entre outros.
Por esse motivo, quando soube que estaria na França no primeiro dia do Festival, mudei meus planos de viagem e tomei o trem de Paris até Charleville (2 horas).
Já no trem se percebia a atmosfera de Festival! Alguns artistas com seu bonecos iam na mesma direção. Chegando lá, minha mochila e eu fomos até a conhecida Place Ducalle, coração da cidade e onde meu amigo Mickael estava trabalhando em uma barraquinha vendendo bonecos e outros apetrechos. Bastou a breve caminhada pela rua principal para sentir a energia que começava a tomar conta de toda cidade. Enfeitada com bandeiras de países do mundo todo, a sensação que se tinha é que se estava entrando em um mundo mágico e colorido, habitado por seres humanos e por diversos bonecos de todas as formas, cores e tamanhos. As vitrines das lojas ficam decoradas com os mais criativos “puppets” deixando clara a adesão da cidade e dos seus cidadãos ao Festival, que traz milhares de turistas e com certeza movimenta muito o comércio de Charleville. Grupos de crianças em idade escolar passeavam de mãos dadas maravilhadas com as performances que acontecem espontaneamente em todas as esquinas e ruas paralelas. Além da programação oficial do Festival, a cidade conta com os espetáculos “off “ que ajudam a deixar o clima ainda mais festivo e rico. Minha amiga Maíra Coelho, renomada artista de Porto Alegre, estava lá com o seu Titeretoscópio, apresentando o espetáculo O Equilibrista que pode ser visto apenas por uma pessoa cada vez. Foi muito bacana acompanhar o processo de montagem e de apresentação dela e de seu parceiro catalão Adrià nas ruas de Charleville, e observar a reação de crianças e adultos ao assistir o show.
A Place Ducalle era um espetáculo a parte, tomada por barracas coloridas, bonecos espalhados pelos bares e restaurantes, performances que aconteciam a todo instante, a energia festiva de uma cidade respirando arte e abrindo espaço para toda uma população de bonecos e figuras fantásticas, contagiando velhos e crianças, adultos de todas as idades, criando um espaço único de comunhão entre arquitetura, história, pessoas e marionetes, como se fosse uma espécie de sonho...
Ao entardecer, as luzes do pôr-do-sol me encheram de uma felicidade de difícil descrição. Sentamos na barraquinha do Mickael, artistas do Brasil, da Espanha, Cuba, Canadá e França. Formamos por algumas horas a nossa pequena comunidade internacional artística, bebendo uma cerveja e falando de arte. De vez em quando, um cortejo de performers passava por nós e lá ia eu correndo atrás, querendo segurar essa vivência no meu coração para sempre. Compartilhar é reviver. Espero ter conseguido, neste breve relato pessoal, trazer um pouco da atmosfera deste incrível festival. Quem tiver interesse em saber mais sobre a Escola e o Instituto ou sobre o período que vivi em Charleville, entre em contato nandastein@hotmail.com. Estarei sempre disponível para ajudar e orientar outros artistas que tenham vontade de fazer este intercâmbio!
Au revoir et a bientôt!
Fernanda Stein
Bailarina e pesquisadora do Grupo Meme de Pesquisa do Movimento
Presidente Lula assina amanhã projeto de lei que cria o Vale Cultura, benefício concedido ao trabalhador nos moldes do Vale Transporte e do Ticket RefeiçãoVale Transporte, Ticket Refeição e... um Vale Cultura de R$ 50 mensais para o trabalhador gastar em cinema, teatro, shows ou livros. Não estranhe. O novo benefício é de fato concreto e começa a se tornar realidade amanhã, quando o presidente Lula assinará e enviará ao Congresso o projeto de lei que institui o Vale Cultura. Participam da cerimônia, às 18h, no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, os ministros Juca Ferreira, da Cultura, e Dilma Rousseff, da Casa Civil.Na verdade, já existe um Vale Cultura tramitando no Congresso. Apesar de ter sido aprovado em todas as comissões pelas quais passou, porém, o projeto, de autoria do deputado Múcio Monteiro (PTB-PE), emperrou numa questão legal: o texto pedia a criação de uma despesa orçamentária extra, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Foi por isso que o Ministério da Cultura (MinC) criou um substitutivo – que já incorporou os aprimoramentos sugeridos ao anterior, ressalta o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Roberto Nascimento.– Não queremos autoria, mas apenas que o Vale Cultura aconteça – diz. – Será um passo fundamental para acabar com a exclusão cultural existente no Brasil.Na prática, vai funcionar assim: o trabalhador que ganha até cinco salários mínimos vai receber um tíquete, nos moldes dos vales refeição e transporte, todos os meses, no valor de R$ 50; 10% dessa quantia pagos pelo próprio beneficiário e 90%, pela sua empresa – mas que poderão ser abatidos por meio de renúncia fiscal, desde que a soma relativa a todos os funcionários não ultrapasse 1% do total pago por essa empresa em Imposto de Renda. O empregador que quiser disponibilizar o vale aos seus empregados que recebem mais que cinco salários mínimos também poderá fazê-lo – desde que todos aqueles com renda inferior já estejam sendo beneficiados ou, se assim preferirem, tenham se manifestado recusando o benefício.A expectativa, projeta Roberto Nascimento acreditando na “sensibilidade dos empresários em qualificar a sua mão de obra e em colaborar para o engrandecimento da produção cultural brasileira”, é de que a maior parte dos 12 milhões de empregados aptos recebam o Vale Cultura. E, assim, até R$ 600 milhões sejam injetados mensalmente no mercado cultural – ou R$ 7 bilhões ao ano, sete vezes mais que o total investido anualmente pelas empresas em projetos culturais via Lei Rouanet.Dada a quantidade de apoios que o projeto tem recebido – Nascimento acredita haver um “consenso nacional em torno do Vale Cultura” –, o MinC espera que a lei tenha tramitação rápida e possa entrar em ação ainda neste ano.
DANIEL FEIX
Três dúvidas sobre o Vale Cultura:
Qualquer loja, cinema ou instituição cultural aceitará o tíquete? Detalhes da lei ainda dependem de normatização, mas o MinC quer um mecanismo como o dos Ticket Refeição – empresas produzirão um cartão magnético que será usado em instituições credenciadas. A ideia é que todas as lojas de discos, livrarias, museus, teatros e cinemas estejam nesta lista. Se não gastar os R$ 50 num mês, o trabalhador pode fazê-lo nos meses seguintes.
Um trabalhador pode burlar a lei e usar o cartão em outras compras? “Se fizer isso cometerá um crime”, alerta Roberto Nascimento, que acredita que qualquer troca por produtos não-culturais consistirá em algo que represente uma “perda pequena, como ocorre com o Ticket Refeição”.
A quantia de R$ 50 não é pequena dados os valores dos produtos culturais? O MinC concorda que sim, mas acredita que este é um primeiro passo para resolver o problema do acesso à cultura no país. “Mais de 90% dos brasileiros nunca foram ao teatro ou ao museu”, lembra o secretário do ministério. “Com R$ 50 por mês essas pessoas podem dar início ao processo de reversão desse número alarmante”.
A coreógrafa alemã Pina Bausch morreu hoje aos 68 anos, de forma inesperada e rápida, cinco dias depois de lhe ter sido diagnosticado um câncer.
Considerada um dos nomes mais importantes da dança contemporânea no século XX, marcou uma profunda alteração da linguagem da dança e foi criadora de obras emblemáticas, tais como "Sagração da Primavera" e "Café Muller".
"Pina Bausch deixa um reportório absolutamente invulgar e único; é uma das artistas e autoras mais criativas do século XX, cuja obra ultrapassa largamente o domínio da dança. Um dos aspectos mais notáveis é ela ter começado pela dança tradicional e, depois, ter ultrapassado todas as fronteiras, tornando-se numa das heroínas da cultura do século XX. É uma obra atravessada por um grande humanismo, no modo como retrata as contradições da natureza humana, e no olhar sábio que lança sobre o homem e sobre a mulher.”António Pinto Ribeiro, ensaísta e consultor da Fundação Gulbenkian
"É uma perda irreparável. Desaparece uma das grandes criadoras universais do século XX. E há algo da criação desse século e da passagem para o século XXI que morre com ela. Com ela aprendi muito, inclusivamente para o meu cinema, ao nível da montagem, da utilização da música e dos sons. Ao ver como as ideias se iam montando e surgindo na sua cabeça. Vai-me ser difícil fazer o luto, do ponto de vista pessoal, por causa da grande amizade que tinha com ela”.Fernando Lopes, realizador e autor do documentário “Lissabon Wuppertal Lisboa” (1998)
Fica aqui a nossa singela homenagem a esta extraordinária artista que tanto contribuiu para o mundo da dança.
Corpos pintados e 22 interventores em cena Nessa sexta-feira - 12 de junho - 22 interventores vão invadir pela última vez o Teatro do Beco com a intervenção arquitetônica e cênica Acessos: Porão. São 22 atores, bailarinos e artistas plásticos que invadem o local e transformam todo o casarão em um palco fragmentado. Resta descobrir em qual espaço a platéia será disposta. As apresentações surpreendem o público, que participa juntamente com os interventores pela busca por novos espaços. Acessos tem direção de Paulo Guimarães e é um projeto do MEME – Grupo de Pesquisa do Movimento. Destaque para In – Concretus, performance de body painting, técnica que consiste na pintura mimética no corpo do performer. O artista plástico maranhense Rauricio Barbosa camufla corpos de mulheres nas paredes e nas poltronas do Porão do Beco. Um trabalho inovador com corpos que se camuflam no cenário e, ao mesmo tempo, dão vida a ele. O Teatro do Beco é uma realização Ambrosia Cultural e Beco 203. Teatro do BecoO que? “Acessos: Porão” e “In – Concretus” Quando? Sextas-feiras, até 12/06. Hora? A casa abre às 20h. O espetáculo inicia às 21h.Quanto? R$12 (público) , R$10 (estudantes, classe artística e maiores de 60 anos), R$ 5,00 ( aluno UFRGS)Onde? Porão do Beco – Av. Independência, 936A dica: Quem assiste a peça pode ficar para a festa na seqüência.
Prorrogada as inscrições para os editais Rumos nas modalidades Arte Cibernética, Cinema e Vídeo e Dança de 29 de maio para 05 de junho de 2009. Linhas gerais de cada edital:. Rumos Arte Cibernética: seleciona pesquisas acadêmicas e obras artísticas relacionadas à arte computacional, à arte em rede e à arte com videogame, robótica e instalações interativas, entre outros temas que associam arte e tecnologia; . Rumos Cinema e Vídeo: seleciona trabalhos em três categorias: Filmes e Vídeos Experimentais; Eventos Multimídia; e Documentário para Web.. Rumos Dança: seleciona projetos em duas propostas: Desenvolvimento de Pesquisa Coreográfica em Dança Contemporânea e Apoio à Pesquisa e Produção de Videodança. Acesse <http://www.itaucultural.org.br/> e obtenha as informações completas de conteúdo, critérios de inscrição, prêmios e repercurssão dos projetos selecionados. Participe! Divulgue!
O 2º MIAU Mostra Independente do Audiovisual Universitário. de Goiânia, premiou com menção honrosa o curtametragem Maresia, de Christian Schneider e Natália Piva Chim (PUC-RS). O elenco conta com Patrícia Soso, Ana Julia Veiga e Paulo Guimarães, ator e coreógrafo, responsável pela coreografia do projeto e coordenador do MEME Centro Experimental do Movimento.
A Menção deu-se pela notável fotografia, que se reflete no sensível trabalho de construção da imagem; pela abordagem poética de um tema delicado e atual; por atingir alto nível técnico e de pesquisa, condizentes com a complexidade da violência afigurada no corpo da mulher (menção honrosa de ficção).
Maresia conta a história de Julia, que engravida após sofrer um estupro e se vê frente ao dilema de fazer ou não um aborto.
Direção: Christian Schneider e Natália Piva Chim Roteiro: Christian Schneider e Natália Piva Chim Produção: Diogo Santoro e Ruana Nunes Produção executiva: João Guilherme Barone Fotografia: Christian Schneider Edição: Bruna Abubakir Trilha sonora: Jean Presser Direção de arte: Bruna Abubakir, Claudia Garcia Gonzales, Elisa Graeff e Gabriela Benedet Elenco: Patrícia Soso, Paulo Guimarães e Ana Julia Veiga