quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dança para Crianças: Projeto aproxima dança contemporânea do universo infantil



Dança contemporânea é espaço para muita improvisação e brincadeira. Isso mesmo! A partir de junho, o público adulto e infantil confere no Itaú Cultural o projeto Dança para Crianças, que preenche a programação do instituto ainda nos meses de julho, agosto e outubro.

De 21 a 27 de junho, serão realizados fórum e workshops para educadores, profissionais da área de dança e interessados em geral, com a participação de especialistas da área, além de espetáculo de dança voltado para o público infantil.

Para os adultos, a programação começa com o Forinho - a Dança, o Brincar e a Improvisação que, por meio da participação de profissionais, tem o intuito de relacionar a dança contemporânea ao universo infantil. O evento prossegue com os workshops. Serão 20 vagas para cada uma das duas oficinas disponíveis. As inscrições estão abertas a partir de 14 de junho, pelo telefone 11 2168 1876.

Nos dois últimos dias de Dança para Crianças, a programação é voltada para os pequenos. A Balangandança Cia. é a convidada deste mês e sobe ao palco do Itaú Cultural com o espetáculo Dança em Jogo - Exercícios Cênicos, uma viagem pelas sensações e surpresas do universo infantil. Há 13 anos trabalhando com crianças, o grupo traz o resultado do projeto contemplado pelo Prêmio Funarte Klauss Vianna 2009, de iniciativa do Ministério da Cultura.




Em Porto Alegre, o Meme Centro Experimental do Movimento deu início às Oficinas para Crianças, sempre aos sábados, incluindo Dança, Yoga, Teatro e Arte Circense.
Com uma equipe de professores de vasta experiência no ensino infantil, as aulas se caracterizam por seguir a filosofia do Meme, que desde 2004 tem sido uma referência na dança aqui na capital dos gaúchos, primando por uma proposta pedagógica que liberte o indivíduo, fazendo com que sua expressão seja mais genuína ao invés de encaixotá-lo num formato fechado de aulas de dança ou de outra forma artística.
Os pais são convidados a ficarem assistindo as aulas e tomando um chimarrão com a nossa equipe ou então, ficam tranquilos por deixarem seus filhotes em segurança e num local com bastante diversão!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Danças circulares rompem circuito alternativo e viram moda até na noite

IARA BIDERMAN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Dança de roda, todo mundo sabe, é aquela brincadeira de criança ou manifestação folclórica presente em qualquer canto do planeta.

Veja galeria de fotos
Modernos trocam dança individual por cirandas; assista

Quando recebe o nome de dança circular, acrescida ou não do adjetivo "sagrada", ganha ares de coisa alternativa, restrita a iniciados e à turma que tem um pé na lama de Woodstock (e idade para ter visto isso).




Só que a ciranda já botou seu pezinho no mundo dos modernos do século 21. Em algumas baladas, gente de 20 a 30 anos está dando as mãos para dançar em rodas ou espirais com a base coreográfica e musical de danças circulares tradicionais.

A tradição, nesse caso, é a dos países balcânicos (no Leste Europeu). A balada é a festa Go East, criada no Rio de Janeiro, onde acontece todo mês, e replicada em São Paulo, onde ocorre com menos regularidade, mas com a mesma animação.

Ao som de ritmos típicos de povos eslavos e ciganos, mixados com música eletrônica como drum"n'bass e dub ou até mesmo rock, o povo da noite também resolveu cair na dança circular.

"Nas festas, sempre tem o momento roda. Até quem não sabe do que se trata entra", diz Maria Tereza de Almeida, 25, DJ e produtora dessas baladas.

"É sempre o ápice da festa. Em balada tem muito a atitude "você com você", cada um dançando sozinho. Na roda, a vibração é outra, é a de compartilhar", defende Maria Tereza.

Um dos benefícios mais citados da dança circular é o aspecto inclusivo e coletivo, capaz de criar vínculos e relações de solidariedade entre os praticantes.

Não é pouco, em uma época em que a competitividade (e o estresse que ela gera) tomou conta até das atividades voltadas ao bem-estar.

FLUXO DE MOVIMENTO

Dançar em círculo leva a um ritmo diferente daqueles criados por comportamentos ansiosos, na visão do psiquiatra Paulo Toledo Machado Filho, que é coordenador do curso "Jung e Corpo", do Instituto Sedes Sapientae, em São Paulo.

"A dança circular relaxa, alterando os neurocircuitos do estresse", diz ele.

Por essência, a roda não cria nada competitivo, já que não há quem fique na frente ou atrás. Como o importante é manter o ritmo e a forma circular, quem erra o passo é imediatamente ajudado pelo colega, para que o fluxo do movimento seja mantido.

Pode ser, em outras palavras, o que chamam de "fluxo de energia" gerado por essa prática.

Além disso, é uma atividade artística, que não requer prática nem habilidade para ser realizada.

O que não quer dizer que seja pouco refinada em termos de movimentos ou uma prática isenta de desafios.

A fisioterapeuta e professora de danças Betty Gervitz, que dá aulas de danças étnicas em São Paulo, afirma que o trabalho neuromotor da dança circular é bastante requintado.

A roda desenvolve a bilateralidade (controle motor dos lados esquerdo e direito do corpo) e exige que o cérebro processe a informação sobre o movimento de forma diferente da que está habituado.

"Normalmente, quando aprendemos um passo ou uma coreografia, imitamos quem está à nossa frente, como um espelho. Em uma roda, você tem que fazer o movimento contrário do feito por quem está na sua frente", explica Gervitz.

Ao mesmo tempo, é preciso regular o passo, respeitar o espaço do outro e seguir ritmos pouco óbvios -as músicas não são exóticas apenas por virem de culturas diferentes, mas também porque têm padrões rítmicos com contagens de tempo diferentes das usuais.

A mágica é que tudo isso pode ser complexo, mas basta entrar na roda para tudo acontecer naturalmente. "A roda é um facilitador, ela te leva; como os passos se repetem, o corpo vai assimilando essas novas informações gradualmente", diz Gervitz.

O fator prazer também ajuda. A alegria da música, a animação do grupo e o fato de não ser preciso sofrer para atingir um determinado objetivo colaboram para aumentar a produção de neuro-hormônios ligados à sensação de bem-estar, como por exemplo as endorfinas.

E claro, também há um considerável trabalho aeróbico que, além de estimular as endorfinas, aumenta a capacidade cardiorrespiratória, queima calorias e ajuda no controle da pressão arterial, entre outras coisas.

MODELO DE ORDEM

Aos efeitos físicos, somam-se os benefícios extracorporais das danças circulares. "O círculo é o modelo organizador para a psique e realizá-lo fisicamente ajuda a pessoa a se organizar internamente", afirma o psiquiatra Paulo Machado Filho.

A psicóloga Glaucia Rodrigues, coordenadora do Centro de Estudos Universais, que promove cursos de danças circulares, diz que a roda ou qualquer movimento circular, como girar sobre o eixo do próprio corpo, ajuda a pessoa a se autocentrar e a se equilibrar.

"Na roda, a pessoa precisa estar presente, inteira naquela situação. Ela precisa estar o tempo todo conectada com o espaço e com o seu corpo", diz a bailarina Rosane Almeida, que ensina danças brasileiras no Instituto Brincante, em São Paulo.

Essa conexão é entendida por muitos como uma forma de meditação ativa. Para várias culturas, é uma oração em movimento -daí a concepção de dança sagrada.

Danças circulares vinculadas a rituais religiosos estão presentes em diversas tradições. Aparecem no candomblé, em cerimônias indígenas ou no giro dos sufis, que são os místicos do islã.

Nessas situações, os praticantes costumam passar por algum tipo de iniciação, que os integra ao sistema de crenças em questão e os prepara para lidar com pequenas alterações de consciência, segundo Paulo Machado Filho. "Na relação com o ritmo e com o movimento, o praticante tem uma percepção diferente da realidade. Em termos psicológicos, deixa de tomar o próprio "eu" como referência, consegue ver as coisas em uma esfera maior", diz o psiquiatra.

O bailarino egípcio Mohamed El Sayed, que no mês passado deu um workshop de giro sufi em São Paulo, acredita que a dança sagrada "supera a materialidade", usando o corpo como uma conexão entre o céu e a terra.

Simbolicamente, as danças circulares reproduzem o movimento dos astros celestes, como o de rotação (sobre o próprio eixo) e de translação (ao redor de um centro). Algumas correntes restringem essa prática aos iniciados. "As alterações de consciência causadas pela dança podem levar a estados descritos como êxtase, e nem todo mundo sabe lidar com esses efeitos. Por isso a exigência de uma preparação", pondera Machado Filho.

Para Sayed, porém, a essência da dança e a funcionalidade dos movimentos circulares permitem que o giro seja feito de forma mais solta e por qualquer pessoa. Basta estar disposto a se deixar levar, ser levado pela música e pelo grupo, se concentrar no aqui e agora. E girar.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Meme Santo de Casa Estação Cultural!

Abre suas portas em 30 de abril de 2010. Mas na verdade, viemos de mais longe, nossa data retorna a 2004.Caminhos traçados, batalhas vencidas. Apesar das inúmeras duvidas e dificuldades que assolam o nosso dia-a-dia, acreditamos 100 por cento na capacidade da dança e da arte em modificar vidas, alegrar rotinas, aquecer o coração.


O Meme é para nos um projeto sem data para terminar, uma filosofia construída a varias mãos, amizades duradouras e verdadeiras que juntas formam um mosaico de vidas.Parabéns e obrigada a todos os que nos ajudaram nesta empreitada!

Ângela, Ariane, Fernanda, Laco, Tiago e Walquiria.
Imagens gentilmente cedidas por Fábio Zambom

terça-feira, 20 de abril de 2010

Segunda Parada...Quase para...






Pode ser a impressão de alguém que cultiva grandes expectativas. Mas quando dobrei a esquina das ruas Érico Veríssimo com João Alfredo, no domingo, dez de abril, às 15h20min (acreditava que eu estava atrasado, devido a minha “montaria” demorada), antecipava encontrar uma multidão de artistas.
Artistas esses que dizem desejar ver salas e teatros lotados. Membros de uma classe teatral de uma cidade percebida em todo o país como uma das capitais mais desenvolvidas e envolvidas culturalmente. Impossível evitar minha decepção ao deparar-me com o número inexpressivo de pessoas no ponto de partida da II Parada de Teatro da Cidade de Porto Alegre. Sim, o Largo Zumbi dos Palmares (mais conhecido como largo da finada Epatur), estava constrangedoramente vazio.
Falo da minha expectativa por ter participado das reuniões e da alegria da primeira parada. Minha conclusão lógica era que, desta vez, na segunda edição, teríamos uma maior participação dos grupos, personalidades, estudantes, diretores, atores, produtores, professores, sobreviventes e empresários do ofício teatral.
Não é minha intenção (muito pelo contrário) desmerecer a iniciativa de um grupo disposto fazer acontecer algo legal. Lá estavam muitos alunos, não mais que cinco mestres, menos da metade dos grupos que dizem atuar nesta cidade, a gente do teatro de bonecos (sempre presente, apoiando) e alguns familiares.
Apesar da decepção, uma valiosa lição aprendida nesses meus 16 anos de teatro foi providencial: a plateia sempre merece nosso maior esforço e dedicação – seja ela formada por um, dois, 50 ou 200 expectadores. Da mesma forma, a Parada e os poucos presentes contavam com a entrega de cada um. E seguimos, conduzidos pela força maravilhosa e contagiante da Banda da Saldanha.
Ao fazer esse relato sobre o evento, pergunto: Onde estavam as pessoas que se beneficiam dos fundos como as leis de incentivo à cultura? Os agraciados do Fumproarte? Dos projetos da nacionais da Funarte? Onde estavam as personalidades que alegam fazer teatro “desde as cavernas” na nossa cidade?
Por que razão se ausentaram aqueles que aparecem quando concorrem a premiações? Talvez ocupados em um desses eventos “artísticos” promovidos por políticos e regados a discursos e coquetéis... (Muitos desses, não por coincidência, os mesmos que ocupam, anos a fio, cargos políticos que decidem o destino financeiro e artístico da classe!)
Ali estavam as pessoas que, de fato, se preocupam com o contexto. Com o cenário do fazer teatral em Porto Alegre. Mas esperava mais, projetava mais. Uma vez que festejávamos a II Parada de Teatro, com o apoio voluntário da iniciativa privada (SESC), a parceria de nossa prefeitura (que fez o possível e até copinhos com água do DMAE distribuiu), surpreendeu-me a ausência de gente que ocupa a Secretaria de Cultura no Governo Estadual.
Desculpo-me antecipadamente se por ventura estiver sendo injusto e equivocado. Mas o evento não teve o impacto necessário para uma classe que quer reivindicar crescimento em nossa cena teatral.
Será que vamos nos encontrar na terceira edição? Espero que abram-se as tais portas dos castelos e cavernas. E que, ao menos por uma tarde, durante algumas horas, um domingo por ano, a máscara de burocrata seja trocada pelo semblante do artista que ainda acredita que fazer teatro é relevante e vale à pena.

Heinz Limaverde
Ator

domingo, 11 de abril de 2010

Entrevista com Jaime Mateos sobre o Teatro de Objetos





por Fernanda Stein - bailarina do MEME.




Recentemente, tive a oportunidade de participar da Oficina “Introdução ao Teatro de Objetos” com o professor e ator espanhol Jaime Santos Mateos, dentro da programação do FITO – Festival Internacional de Teatro de Objetos (realização Fiergs / SESI).

Jaime Mateos fundou a Chana Teatro em 1987 e tem participado de festivais em diversos países, como França, Espanha, Bélgica, Brasil, Portugal e Israel. Foi aluno de mestres renomados: Philippe Genty, Mary Underwood, Jango Edwards, entre outros. Dentro do FITO, apresentou dois trabalhos: “O Pequeno Vulgar” e “Entre Dilúvios”.

A Oficina foi de segunda a sexta-feira, entre os dias 22 e 26 de março de 2010. Foi uma semana intensa onde todos os participantes tiveram a chance de “colocar a mão na massa”, experimentando e aprendendo com os objetos e a arte de colocá-los em cena. Alem disto, a convivência com outros artistas, de diferentes áreas, proporcionou uma grande e animada troca, criando novas redes e amizades.

Muito gentilmente, o professor Jaime aceitou em conceder esta breve entrevista, onde fala um pouco sobre o surgimento do Teatro de Objetos, sua experiência como ator nesta área, as dificuldades e desafios deste trabalho.

Rosa Casaccia e o artista circense e professor do Centro MEME, Diego Esteves, também participaram da Oficina e contribuíram com esta entrevista:



  • Como e onde se pode dizer surgiu o Teatro de Objetos como um gênero em si?
  • Yo creo que surgió em Francia, em uma velada com Velo Théatre, Manarf théatre, théatre de La cuisine, katy deville y allí se comenzó a llamar teatro de objetos a aquel gênero em El que se actuaba com objetos pero sin transformar su naturaleza.



  • Quais as principais diferenças entre o Teatro de Bonecos e o de Objetos?

El teatro de objetos es el arte Del redescubrimiento del objeto. Lá búsqueda de otros significados del objeto. A veces el objeto también puede ser manipulado como boneco, pero el teatro de bonecos es uma representación, es algo explícito y concreto. El boneco representa um personaje. Em el teatro de objetos no necesariamente. El objeto puede representar o significar muchas cosas.



  • Quais as maiores dificuldades de trabalhar com objetos?

La dificultad estriba em recuperar el animismo por um lado, y por outro el encontrar de qué es metáfora esse objeto.



  • Como funciona o seu processo de pesquisa para a montagem de um espetáculo?

Yo elijo um tema y voy asociando a esse tema objetos e imágenes, así como posibles conflictos. Creo um campo magnético em torno al tema y después voy cruzando lo que tengo hasta que consigo la obra.



Como surgiu a idéia para encenar a peça “Entre Dilúvios” e como foi o seu processo de investigação neste caso?

Entre dilúvios fue um proceso largo y no continuado. Siempre me interesó La bíblia. Traté de buscar conflictos que yo pudiera asumir como mios y luego jugando y jugando fui descubriendo lo que me interesaba. Trabajé com objetos y textos a la vez.



  • Sobre usar o corpo em movimentos "maiores", sem uso de uma mesa/palco: até onde é interessante, e onde se pode perder o foco? Qual cuidado tomar? Digo isso pensando em associar o teatro de objetos com circo e dança. Existem referências de trabalhos com este formato? (pergunta de Diego Esteves)

Creo que el cuerpo es um objeto más. El teatro de objetos es um ritual em el que el cuerpo del actor tiene um papel protagonista. Philippe Genty usa em sus espectáculos el cuerpo como objeto y el actor como boneco.



  • Minha pergunta estaria na discussão do que seja sinédoque. O professor Ernani Terra não coloca distinção entre esta palavra e metonimia. Vejam só: http://www.ernaniterra.com.br/texto_002.php. (pergunta de Rosa Casaccia)

La sinécdoque es uma figura que está dentro de la metonima. Es tomar la parte por el todo.



  • Quais grupos você poderia citar como sendo referências dentro do Teatro de Objetos?

Los que he citado sl principio, así como Julio Molnar, Tabola Rassa, Gare Central, Chemins de Terre...



  • Que conselhos você daria a um ator ou bailarino que queira iniciar uma pesquisa com os objetos? Quais os primeiros passos em sua opinião e que cuidados deve tomar?

Descubrir de nuevo el plocer de jugar como los meninos y después entender que este gênero es um arte fundamentalmente poético em el que buscar la metáfora se convierte em um viaje incomparable.



  • Como foi a experiência de participar do FITO em Porto Alegre e quando pretende voltar à cidade?

Fue maravilloso. El publico recibió mis espectáculos com verdadero entusiasmo y los alumnos de la oficina trabajaron muy interesadamente lo cual provoco excelentes resultados.

No sé cuándo volveré a Porto Alegre, pero espero que sea pronto.



site da cia La Chana Teatro:
http://lachanateatro.wordpress.com/fotos/

sexta-feira, 19 de março de 2010

Roseli Rodrigues


Morreu na madrugada desta quinta-feira, Roseli Rodrigues, coreógrafa e diretora da Raça Cia de Dança de São Paulo. Ela tinha 54 anos e sofria de câncer linfático.

O diretor do Meme, Paulo Guimarães, trabalhou com Roseli em 1996 durante sua passagem por São Paulo. A seguir, algumas palavras suas sobre a morte de uma das precursoras do jazz no Brasil:


A morte da Roseli significa para nós uma perda, pois era uma pessoa extremamente criativa, que contribuía de várias formas para a dança com o seu trabalho artístico e da sua companhia. Tive o prazer de trabalhar com ela em 1996. Com o seu jeito disciplinado e rígido ela conseguia levar um trabalho de muitas pessoas, sempre abrindo espaço para todos, fomentando muito, principalmente, o jazz. Roseli era um dos grandes nomes da história do Brasil no jazz, uma grande responsável por sua evolução e desenvolvimento. Tinha um trabalho qualificado, consagrado, transitava em todas as linguagens, em todos os eventos, era uma pessoa muito popular e respeitada pela qualidade do seu trabalho.

Pessoalmente, minha relação com ela foi muito franca e aberta. Era uma pessoa que tinha um jeitinho meigo, querido, mas ao mesmo tempo, na hora de trabalhar era super exigente e rígida. Mas eu agradeço, ela abriu portas para mim em São Paulo, me acolheu, enfim, eu acho que a dança perde um trabalho de qualidade, perde uma pessoa que abriu fronteiras para o bailarino e para a dança brasileira. Ela formou muita gente. Tem bailarinos que passaram pela mão dela e que hoje estão seguindo uma carreira profissional. Ela é responsável por tudo isso, pela dedicação que teve com a dança. Fica uma lacuna. Principalmente para o jazz, que tem passado por uma fase de renovação, ela era um dos principais pivôs desse processo, dessa transição. Acho que as pessoas que trabalham com jazz vão sentir bastante. A Roseli era uma referência nacional e estava começando a colocar o trabalho dela também em nível internacional.

Uma grande pessoa, pela qual tenho respeito e carinho. Que ela fique em paz.”