quarta-feira, 25 de maio de 2011

A casa das bergamotas.

As pessoas se despem aqui,
e o Elias calça tênis mágicos
que trouxe de São Paulo,
e ele ama Porto Alegre!

Expectadores do lado de dentro
e de fora da porta de vidro
se situam no vulcão que bafora para o ar
desejos de dançar.

A casa da velhinha
que se foi pro céu,
Laco transformou numa casa
de amor pela terra.
Transformou esta casa onde
neste mês de maio explodem bergamotas
que ameaçam cair,
perfumadas,

na cabeça-tonta
de seus convidados.

poema criado por Cristina Ávila, durante o Espaço Improviso,
20 de maio de 2011.



Imagens de Fábio Zambom
 
Casa das bergamotas!


Roberta Alfaya (Lira) e Tiago Rinaldi (Sopapo)
Brechó da Lara e Mariana. Só coisa boa!


Fernanda Stein (Laços)


 Ana Medeiros num solo estupendo! (Companhia Del Puerto)


  Thais Freitas (Dança Indiana)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Carolinne Caramão Syncronia dias 14 e 21 de maio






































A cantora e compositora, Carolinne Caramão apresenta o show musical SYNCRONIA, que tem como característica músicas suaves e intimistas.
Um trabalho musical que leva ao público músicas do cancioneiro popular brasileiro, composições próprias e músicas de Cabo Verde e Malawi (Africa).

A mandala Flor da Vida é o símbolo deste trabalho, com suas formas geométricas correspondentes a todos elementos que compõem a natureza "terrena" que conhecemos, e a Existência como um todo.

“Queremos proporcionar uma ‘desintoxicação auditiva’ através da música em contraponto à toda a poluição sonora que nos rodeia”, diz a cantora.

Acompanhada pelos músicos Paulo Lyma, ao violão, Paulo Mi, teclado e programações, Mimmo Ferreira assina a direção e acompanha o grupo na percussão e programações eletrônicas.

Para conhecer o trabalho de Carolinne acesse: www.myspace.com/carolinnecaramao


Local: MEME Santo De Casa Estação Cultural
Dias: 14 e 21 de Maio
21 horas
Ingressos a venda, no MEME Santo De Casa Estação Cultural
Rua: Lopo Gonçalves, 176, na Cidade Baixa.
Valores: 16 reais
Desconto de 50% para estudantes, melhor idade e alunos da casa.
Informações pelo fone 3019 2595

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Biodanza para Iniciantes

Olá pessoal! Segue a divulgação da Oficina que André Simoni preparou especialmente para o espaço.


Biodanza é um sistema de integração afetivo-motora que desperta os potenciais adormecidos e nos permite reaprender as funções originais da vida. Utiliza música orgânica, movimentos expressivos individuais e em grupo.
Sua prática reduz o stress, fortalece o sistema imunológico, aumenta a auto estima, a vitalidade e a capacidade de agir. Favorece o relacionamento interpessoal, resgata o prazer de estar vivo e de ser afetivo.


Iniciação à Biodanza
com André Simoni
8 a 29 de janeiro - sábados
9h30 às 12h - 4 encontros
Investimento: 120 reais

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Oficina ‘Clown Vivencial’, com Melissa Dornelles





MEME Santo de Casa Estação Cultural convida para a Oficina ‘Clown Vivencial’, que será ministrada nos dias 6 e 7 de novembro de 2010. Melissa Dornelles vem pesquisando a arte do palhaço no palco, em instituições hospitalares, e em asilos há mais de dez anos.

A Oficina ‘Clown Vivencial’ busca a sensibilização, a tomada de consciência dos ‘automatismos’ e o resgate da ‘essência’ e da criança interior. A crença de que o clown não é uma personagem, mas sim uma lente de aumento da alma e da corporalidade de cada pessoa, direciona esse workshop para uma oportunidade de auto-conhecimento e auto-aceitação profundos.

Vivências e jogos proporcionam um resgate da ludicidade para que os corpos relembrem a liberdade expressiva que é inerente a todos os seres humanos. O clown é abordado como uma ‘respeitável criança criadora’, um provocador de emoções, de sentimentos, de sensações e especialmente de riso.Sob essa ótica, o clown, guiado pela lógica do jogo, pode brincar com as relações humanas, onde todos podem se reconhecer através de suas tentativas atrapalhadas e ingênuas, e ao mesmo tempo, gozar de um sentimento de integridade, frente a esta pequena máscara que é o nariz vermelho. Fazendo rir com sua visão de mundo e suas tentativas de transpassar os seus fracassos.

Através de exercícios e vivências (re)criadas por Melissa Dornelles, os alunos terão a oportunidade de buscar fazer graça. Mais especificamente, de ser a graça. Enfocando o prazer do jogo, sem aprofundamento técnico. A possibilidade da descoberta do clown de uma forma profundamente humana, promovendo o jogo cênico/cômico através do ser artístico e poético.

A oficina é direcionada para pessoas sem experiência profissional na área teatral.


Valores:

inscrições antecipadas até o dia 29 de outubro
160 reais (à vista) ou
3 parcelas de 60 reais

Após 29 de outubro
180 reais (à vista) ou
3 parcelas de 70 reais





Melissa Dornelles é atriz, clown e produtora. Diretora e professora da Cia Circular, ministrante de workshops de iniciação e de manutenção de clown, para atores e estudantes de teatro. Ministrante do curso CLOWN VIVENCIAL, com enfoque no desenvolvimento humano, direcionado para pessoas sem experiência profissional no teatro. Estes cursos fazem parte do Núcleo de Arte Educação da Cia Circular.

Bacharel em Artes Cênicas pela UFRGS. Participou de oficinas e workshops ministrados por Philippe Gaulier, Maria Helena Lopes, Maria Lúcia Raymundo, Irion Nolasco, Grupo Potlach, GrupoLUME, UTA, Carlos Simoni, Ricardo Puccetti, Ana Elvira Wuo, Roberto Birindelli, Julio Conte, Biño Sauitzwy, Daniela Carmona, Gina Tocchetto, Inês Marocco, Marcia Strazzacappa, Sérgio Mercúrio, Leela Alaniz, Thaís Petzhold, Jussara Miranda, Adriano Basegio entre outros.

Iniciou suas atividades artísticas em 1995, num espetáculo de rua chamado ‘A Vida é uma Droga’, de Júlio Conte. No mesmo ano atuou em ‘Núpcias Pois’, sob direção de Daniela Carmona, pelo Projeto Novas Caras. Em 2005 foi aluna da École Philippe Gaulier, na França. Integrou o NIT-Núcleo de Investigação Teatral, coordenado por Roberto Birindelli, participou do Grupo de Pesquisa de Pós-Graduação do Hospital de Clínicas de POA por cinco anos como idealizadora e clown do projeto ‘Azulão, O Desenvolvimento da Técnica Clownesca no Setor de Oncologia Pediátrica do HCPA’. Durante os anos de 2004 e 2005 trabalhou em Londres e em Paris como performer do grupo de dança/teatro About Seven. Também na Inglaterra, no ano de 2004, ministrou um workshop de expressão corporal, por meio ano, voltado para moradores de rua no FairBridge Institution.

Atualmente está dirigindo o primeiro espetáculo de rua de circo financiado pela prefeitura de Porto Alegre através do FUMPROARTE; Circonservando, que se utiliza de técnicas circenses - como contorcionismo, acrobacia e malabares, bem como da linguagem clownesca.



Sobre o MEME Santo de Casa Estação Cultural

Recentemente inaugurado na Cidade Baixa, o MEME Santo de Casa Estação Cultural é a consolidação de um trabalho que vem sendo desenvolvido pelo MEME - Centro Experimental do Movimento, há mais de cinco anos. A partir da necessidade de ampliar espaços culturais alternativos para o desenvolvimento da arte em Porto Alegre, e tomando como referência locais similares no eixo Rio/São Paulo e também no exterior, um grupo de artistas gaúchos já consagrados em suas determinadas áreas uniu esforços para que MEME Santo de Casa Estação Cultural se tornasse uma realidade.

Em 2005, o MEME recebeu Prêmio Condança de melhor projeto de pesquisa para Anjos 40. Em 2007 recebeu o Prêmio Açorianos de Artes Visuais - destaque em Mídias Tecnológicas com a Video Performance Porões A-Paralelos (Eny Schuch, Fernanda Stein, Niura Borges e Paulo Guimarães).

O MEME é coordenado pelo bailarino e coreógrafo Paulo Guimarães. Sua trajetória, envolvendo ensino e criação artística, iniciou no curso de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (1986) ao trabalhar com crianças da periferia na pesquisa “Resgate de Brincadeiras”, que foi objeto de sua monografia de graduação. Como bailarino, possui formação em ballet clássico, jazz, contemporâneo, moderno, dança afro e dança-teatro, tendo como principais mestres Berenice Fuhro Souto, Susana D’Ávila, Tony Abbott, Henrique Rodovalho, Ivonice Sati, Denise Namura e Ancelmo Zolla. Integrou as companhias gaúchas Transforma, Muovere e Anette Lubisco, além de participação como bailarino convidado no espetáculo Caixa de Ilusões, de Eva Schul com a Ânima Cia de Dança. Integrou ainda o elenco da Raça Cia de Dança, de São Paulo e da Quasar Cia. de Dança, de Goiânia – considerada uma das melhores companhias do país. Participou de vários festivais nacionais e internacionais de dança, como o Festival de Dança de Joinville e Biennale de la Danse de Lyon, na França. Entre 2002 e 2003, lecionou na Universidade Federal de Goiás, nos cursos de Teatro e Musicoterapia.

O MEME nasceu de uma oficina ministrada por Paulo Guimarães, no projeto Movimentos Incessantes – Porto Alegre Cidade Que Dança, realizado em 2004 pela Secretaria Municipal da Cultura/Prefeitura de Porto Alegre. Desde então, tem desenvolvido intensas atividades, incluindo a abertura do MEME Centro Experimental do Movimento, que se firmou como um espaço onde a dança convida outras linguagens artísticas promovendo o intercâmbio, a experimentação e o diálogo de processos híbridos de criação artística.

Durante a semana a Estação Cultural oferece aulas de dança contemporânea, arte circense, danças circulares, pilates, alongamento, condicionamento físico, hatha yoga e tango. Os sábados são exclusivamente das crianças: ioga, dança criativa, teatro de animação e arte circense são atividades que compõem a proposta especialmente desenvolvida para os pequenos. Paralelamente, o grupo desenvolve laboratórios de criação em dança e abre o espaço para que grupos independentes possam dialogar e desenvolver suas pesquisas e experimentações, seja em dança, teatro, circo, música ou artes visuais.

Em seu repertório, o MEME tem os espetáculos: Bu! Um olhar adulto sobre a criança que há em nós (2005) - montagem que recebeu 04 Prêmios Açorianos Dança, incluindo melhor espetáculo, produção, trilha sonora e iluminação;

Despidas por seus celibatários (2006) - recebeu 02 indicações Prêmio Açorianos Dança (produção e cenografia) e 08 indicações Prêmio Quero-Quero SATEDRS (espetáculo, coreografia, bailarina, trilha sonora, iluminação, cenografia e produção)

Teresinhas (2008) – foi sucesso de publico e critica, e a canção Linha, de Tiago Rinaldi, que integra a trilha sonora do espetáculo foi aclamada no 11º Festival de Música de Porto Alegre, conquistando o primeiro lugar além do destaque de melhor letra.


SERVIÇO

Oficina Clown Vivencial

Dias 06 e 07 de novembro.
Sab das 17 às 21h. Dom das 15h às 19h.
Cada encontro com 4 horas, totalizando 8 horas de oficina.
Lopo Gonçalves, nº 176 – Cidade Baixa – Porto Alegre
Telefones para contato:
51 30192595
Tiago Rinaldi – 51 93159242
producao@centromeme.com.br
Melissa Dornelles
Contato: (51) 8128 0779 - melissadornelles@gmail.com

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Esquina Democrática? Aonde!?




Publicamos comentário do ator Marcelo Aquino a respeito do episódio ocorrido este mês na Esquina "Democrática", centro de Porto Alegre. Dia 16 de Outubro de 2010, sábado a Brigada Militar tenta parar apresentação da peça Árvore em Fogo da Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FaveLA...detêm os atores ao final da apresentação, inclusive uma criança de 11 anos que participa de encenação, desrespeitando o Art.5º da Constituilção, que diz: "É LIVRE A EXPRESSÃO DA ATIVIDADE INTELECTUAL, ARTÍSTICA, CIENTÍFICA E DE COMUNICAÇÃO INDEPENDENTE DE CENSURA OU AUTORIZAÇÃO"


É da maior importância levarmos este flagrante adiante para discutirmos a atual política cultural em Porto Alegre e no RS. Segue o comentário:


Quem mora no Rio de janeiro, sobretudo na linha de fogo entre o morro e o asfalto, não consegue mais fazer distinção entre bandido e policial. Não precisa assistir Tropa de Elite 2 para entender como as coisas funcionam por aqui. Como gaúch...o, morador de Copacabana a 4 anos, e depois de já ter virado estatística sendo assaltado, participado de tiroteio na Nossa Senhora de Copacabana e acompanhado da janela toda sorte de absurdos envolvendo a polícia carioca, sempre tive muito orgulho de falar da boa e valorosa Brigada Militar de Porto Alegre, para mim sempre exemplo como instituição que faz parte da história dos gaúchos....mas o que é que está acontecendo com a Brigada Militar de Porto Alegre afinal? Tenho lido sobre índices alarmantes de crescimento da criminalidade na cidade de Porto Alegre, e será que a brigada não tem uma tarefa importante a cumprir no combate aos bandidos? será mesmo que este é o papel da Brigada militar gaúcha? Prender artistas que estão na rua livremente se manifestando? Prender crianças? Que doideira é esta afinal? Que perigo pode representar um grupo de teatro afinal? Ou será que a policia já esta preparada para entender toda a subjetividade crítica e poder de informação de massa que o teatro pode ter...Bom ai sim!!! então este grupo poderia mesmo estar representando um perigo, propondo a reflexão, expondo as feridas da cidade e das instituições falidas e corruptas de poder instituídos...ai sim eles representam um perigo e precisam mesmo ser presos, aliás deveriam ser banidos da cidade pois este é o pior dos perigos que alguém pode representar, o perigo de fazer refletir, o perigo de desenvolver o senso crítico, o perigo de abrir na esquina democrática um grande espelho que possa refletir a imagem de uma cidade feia e doente....Cadeia para os artista de rua, algema neles e viva a esquina "democrática" viva a eterna hipocrisia dos pampas!!!!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Trocas

Por: Paulo Guimarães
Coordenador do MEME Grupo de Pesquisa do Movimento


Nos últimos tempos a palavra TROCAS vem rondando a nossa volta, insistindo para que lhe demos atenção e um espaço entre nós. Ela chegou de mansinho e foi conquistando seu lugar e respeito através de atitudes concretas que nos fizeram acreditar que ela exerce um papel fundamental na sociedade contemporânea, que sem ela fica muito difícil superar as dificuldades impostas por tal sociedade. E que o caminho, por mais piegas que pareça, é o da solidariedade e parcerias.

Ela nos ajudou a enxergar, não “uma luz no final do túnel”, mas vários túneis e várias luzes.






Nossa atitude foi, em primeiro lugar, “aprender a aprender” com as pessoas que já estavam ao nosso lado e demonstravam um profundo senso de colaboração e fidelidade e, em segundo, buscar parcerias que comungassem deste pensamento e que através do sistema de TROCAS pudessem colaborar em nosso desenvolvimento profissional e cívico, ajudando assim a construir uma sociedade mais humana através do exercício da arte.

Foi desta forma que partimos para encontrar parcerias que aceitassem integrar uma missão tão difícil e importante. E lá se foram sete anos...




Em fevereiro de 2010 recebo um telefonema de Campinas, da colega e amiga Márcia Strazzacappa, me fazendo um convite para dirigir e coreografar um espetáculo de dança-teatro para o encerramento do II Seminário Internacional de Educação e Estética da UNICAMP: “Entre lugares do Corpo”. Ela tinha assistido um DVD do nosso último espetáculo, TERESINHAS, e ficou muito tocada com a temática do trabalho que resolveu, além de voltar à cena, convidar três mulheres bem sucedidas; Valéria Franco, Carla Morandi e Rosane Baptistella (doutoras, mestres e mães) formadas nas primeiras turmas de Dança da UNICAMP, que este ano está completando 25 anos, para dividirem a cena. De imediato aceitei o convite, pois além de oportunizar as TROCAS com outros estados e entidades, era uma honra e um desafio dirigir mulheres que são referência para nós da área da dança.

Entre tantas idas e vindas de Campinas a Porto Alegre - no total foram sete - se passaram meses deliciosos e desgastantes, de aprendizados e conquistas que geraram frutos, entre eles nossa participação, Tiago Rinaldi e a minha, nas “Rodas de Improviso”, projeto agraciado pela FUNARTE do TUGUDUM - Campinas, um espaço alternativo de música, teatro e dança, coordenado por Valéria Franco e Dalga Larrondo, que neste ano completou 10 anos.  Logo após, resolvemos trazer estes profissionais para Porto Alegre e organizamos o III Encontro MEME de Arte Experimental: “Arte e Sustentabilidade”, de 5 á 8 de agosto de 2010. Foi um ENCONTRO de trocas entre profissionais de Porto Alegre, Pelotas e Campinas, com a participação do interior e sua contribuição nas políticas de descentralização da cultura, visto que quase tudo aqui no estado gira em torno de Porto Alegre. Foram dias inesquecíveis de TROCAS entre profissionais da arte de vários estados brasileiros e países como França e Argentina. Tivemos a oportunidade de conquistar parceiros como SESC/RS, Prefeituras de Pelotas e Porto Alegre, UNICAMP-Campinas e TUGUDUM - Campinas.

Mas o destino tinha reservado, para a conclusão deste ciclo, momentos especiais que servirão de combustível para nossa caminhada durante esta missão. Foram encontros de TROCAS únicos com pessoas que fazem a diferença, que dedicam suas vidas para a construção desta tal sociedade mais humana através da arte, há muitos anos com um trabalho sólido e consolidado. Pessoas como Luis Porter (Canadá-México) que mostrou com palavras doces e profundas como está construindo a nova escola, idealizado por Paulo Freire; pessoas como Graham Price (Nova Zelândia) que com sua simplicidade encantou nossos corações com suas canções de agradecimentos encharcadas de ensinamentos; pessoas como Ana Angélica Albano (coordenadora do Laborarte-UNICAMP) que com sua sensibilidade soube reunir seres de luz num mesmo lugar e num mesmo tempo proporcionando um seminário onde a ciência e a psicanálise reconheceram que a arte tem um poder único de transformação ao recriar o homem através da restauração da alma que sofre, dito por ninguém menos que Roberto Gambini (IAAP-International Association for Analytical Psychology),  este responsável por um dos instantes mais significativos ao apresentar sua conferência: "Chopin, Carlos Drummond de Andrade e a dor da alma”. Foram dele estas palavras:


                      “O sofrimento quando expresso pela arte adquire um status de beleza e a beleza cura...” 


Quando somos indagados por nós mesmos: - Será que vale a pena?
 


 Lembro de certa vez ouvir de uma pessoa, que a única coisa que levaremos desta vida é o quanto amamos que o resto são caprichos e vaidades humanas que vem do nosso lado negro, a razão e o ego. E, em resposta a essa indagação deixo as palavras de Ana Angélica que para ilustrar sua conferência usou a cena do filme Silêncio (Irã):

"Um menino cego, de mais ou menos 8 anos, foi ao mercado público com sua irmã (10 anos) comprar tâmaras. Ele ia com a mão no ombro dela para não se perder e ela, extremamente cuidadosa com ele, o guiava. Só que ela começou a comer uma cereja e perdeu-se neste universo sensorial e lúdico não percebendo que seu irmão também havia mergulhado no mesmo universo ao seguir um rapaz que passava com um micro system onde tocava músicas que o encantaram. Quando ela terminou de digerir a cereja percebeu que seu irmão havia sumido. Desesperada, saiu em busca do irmão aos gritos; perguntava para as pessoas, gritava, corria... até que chegou ao limite do desespero. Sem saber o que fazer e prestes a desistir ela ainda encontrou forças para lembrar que seu irmão amava música e sabia quais músicas ele gostava. Então numa última e desesperada tentativa fechou os olhos e mergulhou no universo de seu irmão seguindo os sons, foi o bastante para encontrá-lo agarrado a grade de um bar onde tocava suas canções favoritas".

Quando ouvi isto, estava em um dos momentos de dúvida e de dor da alma que a vida nos apresenta e resolvi mergulhar neste escuro. Graças a esta loucura cheguei até aqui. Mas a jornada é longa e a “missão” não acabou e por este motivo seguimos ao encontro de pessoas e entidades dispostas a TROCAR conosco.

Imagens: Necitra, clicados por Fábio Zambom.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

(!)

"Se uma idéia não soar absurda desde o início, provavelmente não é boa."

Albert Einsten


Idéia (do grego idéa, pelo lat. Idea) S.(. 7 .Representação mental de alguma coisa concreta ou abstrata; imagem


2. Elaboração intelectual; concepção.
3. P. ext. Projeto, plano.
4. Invenção, Criação.
Dicionário Aurélio


Concepção intelectual; imaginação, lembrança. Tende a ação.
Dicionário Etimológico





Idéia é uma dessas coisas que, a meu ver, é como oxigênio: está no ar, é invisível e, apesar de abundante, sempre corre o risco de passar batido.
Tal qual RESPIRAR: um ato fundamental para nossa sobrevivência, que por ser involuntário, também passa batido não nos damos conta de sua complexidade e de todo o impacto que ele causa em nosso corpo.
Fazemos idéia?
Pare por um momento, respire e procure se lembrar:
Qual foi sua última grande idéia? Como foi que você chegou a ela? Conseguiu materializá-la?
Qual foi o impacto que essa idéia materializada gerou?
Se inspirar e expirar são atos involuntários, inspirar-SE é...???
Na falta de uma resposta objetiva, apelo para Nossa Senhora das Reminiscências, para que nos abençoe uma história.
Lembro-me de ter trabalhado com um artista russo, há muitos anos atrás. Tínhamos que criar uma cena de comédia. Tão logo ele começava a me explicar sua idéia, eu já rebatia com um "Não sei se isso é legal" ou com "Não vai dar pra fazer, é muito complicado!" Num determinado momento em que eu ia, pela enésima vez, decepar mais uma de suas idéias, ele me encarou bem e disse:
"Nós somos artistas, cara! Primeiro, criamos. Depois, executamos; e é nesse processo que vamos descobrir se é legal, se é viável, se dá errado ou se dá certo! Mas, quando ocorre a idéia, temos que dar uma chance a ela, partir para a ação, entendeu?"
"Entendi... Pobre idéia..." Pensei eu, sentindo-me o mais medíocre dos seres vivos. "Nem bem nasceu e já foi julgada, abandonada, abortada, descartada, MENOS... REALIZADA!"
Com o meu rabo entre as pernas, recolhi minha cara do chão e comecei a por em prática a sugestão de meu amigo. E destravei!
Que alívio aposentar aquele diretor ranzinza e mal resolvido que habitava minha cabeça, impedindo-me de simplesmente fazer o que vinha à mente. Que delícia redescobrir o ensaio como o melhor espaço para tentar, testar, experimentar, sacar, criar, e tantos outros instigantes verbos de movimento que são a conseqüência natural de idéias que fluem, jorram e querem sair para ganhar vida plena.
O exato oposto do bater cartão:
Inspirar, expirar, se inspirar, transpirar, realizar, cultivar, ampliar!
Aprendi a me responsabilizar pelo ato de por minhas idéias em prática, correndo o risco de vê-las dar certo ou falhar impiedosamente, revelando minhas competências e incompetências, mas, em ambos os casos, desenvolvendo uma capacidade de quebrar a cara e ir em frente.
Sou grato até hoje ao meu amigo russo, por esse aprendizado.
Uma outra passagem que me vem à mente foi contada por um amigo. Não sei se é verídica, mas é boa.
Supostamente, o homem que inventou a fotografia instantânea que depois se tornou conhecida como Polaroid era um fotógrafo que, após tirar fotos de sua filhinha de cinco anos, foi revelá-las. Quando saiu do laboratório, a menina perguntou:
"Estão prontas?"
"Ainda não", disse ele. "Você poderá vê-las amanhã!" Inconformada, a criança retrucou:
"É uma pena ter que esperar tanto para ver as fotos, não é papai? A gente devia ser capaz de vê-las logo depois que elas são tiradas."
Ao ouvir isso, o fotógrafo respondeu:
"Você está certa! É isso mesmo! Vamos ver o que conseguimos fazer!"
Em seguida, entrou no laboratório e só saiu para realizar o objetivo de ver sua filha se encantar com a execução de sua idéia.
Um verdadeiro ato de amor. Que poderia não ter ocorrido, caso papai tivesse dito:
"Ora, filhinha, que idéia estapafúrdia! Essas coisas não existem! Onde já se viu uma foto ser revelada assim? Vá brincar agora enquanto papai se contenta com o que já foi criado. Ah, essas crianças têm cada uma!"
A sabedoria que se revela na maneira que uma criança olha o mundo é solo fértil para a inspiração. Como tratamos essa criança pode refletir como lidamos com nossas idéias.

IDÉIAS. AFINAL, PARA QUE TÊ-LAS?
MAS, SE NÃO EXPERIMENTADAS, COMO SABÊ-LAS?

Idéias são tão generosas e incondicionais que, mesmo subestimadas, voltam
apaixonadas e nos dão segundas, terceiras e quartas chances de invadir nossas mentes para fazer amor e confirmar sua esperança. Em nós.
Se, mesmo assim, passarmos a oportunidade, elas não se ressentem. Pairam, dançam e evolvem no espaço acima de nossas cabeças, disponibilizando-se para quem quer fecundá-las e pari-las. Usei esses verbos de propósito. Porque uma idéia colocada em prática é como um nascimento. Cultivada, uma autoria.
Uma idéia sabe que não pode mudar o mundo; por isso ela nos escolhe e convida para fazê-lo.
Abençoados os disponíveis e antenados, pois tal qual oxigênio, são vitais e indispensáveis.

Onde você quer se posicionar?
E você, pare de ler esse Guia e comece a dar vida àquela sua idéia já!

Wellington Nogueira é criador e gestor do Doutores da Alegria.