terça-feira, 2 de dezembro de 2008

PROJETO EDUCAR DANÇANDO




No último Espaço Improviso, promovido pelo Centro Meme, quem lá esteve assistiu às performances das meninas da Comunidade Rubem Berta, que fazem parte de um grupo de dança coordenado pela educadora física Vanice Loose. A seguir, uma breve e interessante entrevista onde ela nos conta como iniciou este trabalho, quais as suas metas e os seus desafios!
entrevista de Fernanda Stein


Vanice, fala um pouco de ti e do teu trabalho.
Meu nome é Vanice Loose e sou professora de Educação Física (UNISINOS) com Pós-Graduação em Psicomotricidade(PUC).
Desde 1990 trabalho com crianças e adolescentes na área de atividades físicas e desenvolvendo projetos na área cultural nas escolas. A busca constante por uma educação física diferenciada me acompanha desde o início do curso, a dança e o teatro são uma consequência destes trabalhos. O aluno sente necessidade de expressar suas emoções e uma das possibilidades é a dança e a outra é o teatro, além do jogo que os mesmos estão acostumados a realizar em aula.
Criar um espaço para vivenciar a dança é a proposta inicial e a partir desta criar outros espaços como grupo construindo respeito, responsabilidade, sociabilidade, auto- estima e principalmente um cidadão atuante.

Como surgiu a idéia de formar um grupo?
A idéia surgiu da necessidade das crianças em fazer algo diferente em conjunto com a minha de fazer algo por nós, enquanto comunidade escolar. Em 2006 as aulas iniciaram de forma tímida e em horários diversos de acordo com o meu tempo disponível na escola. Surgiram então as parcerias, com os pais mais atuantes e presentes no projeto e com o MEME. A relação do grupo com o MEME ocorreu através de oficinas mediadas por Paulo Guimarães, também em 2006, e muitos do grupo muitas vezes não podiam ir por falta de "grana" .
Hoje em 2008, passados 3 anos estamos aqui, firmes e fortes com o que restou do grupo com uma aula semanal nas terças-feiras e já conquistamos muita coisa juntos, como: a camiseta do grupo através de uma rifa, sair do espaço só da escola Júlio Brunelli, participar do Sarau do MEME e de um Seminário na UFRGS.
Como é a estrutura de vocês para trabalhar e quais algumas das dificuldades?
Temos estrutura básica: uma sala ampla, um som e uma hora semanal para ensaiar. Mas nos falta orçamento para poder pagar um micro ou uma van pra sair da escola e participar de eventos (temos que ir de ônibus de linha), os horários de saída tem que ser adequados tanto pra mim quanto para elas, para a professora porque o horário escolar é de 40hs semanais e para as alunas a noite fica complicado pelo alto índice de periculosidade da comunidade. Tudo deve ser muito bem planejado e bem pensado por todos, professora, pais e alunos.
Sabemos das nossas dificuldades e elas só nos mostram que temos que batalhar um pouco mais, mas que mais cedo ou mais tarde chegaremos lá.

Como tu poderias avaliar a mudança destas meninas desde que começou o grupo?
Quanto a mim acredito que elas melhoraram muito em vários aspectos, mas achei interessante colocar a opinião delas mesmas já que fazemos tudo juntas.
“Eu acho depois que eu entrei para o grupo de dança, eu me tornei uma pessoa mais desinibida, mais comunicativa, conheci pessoas novas e diferentes. Adoro dançar desde pequena, por isso resolvi entrar no grupo e estou nele até hoje, porque faço o que gosto.”
Viviane (14 anos)


“Bom, pra mim tudo mudou, eu aprendi bastante e aprendi a confiar mais em mim. Em meu conceito, o grupo de dança ajudou todas nós. A gente tem mais atitude do que no começo. Eu tiro o chapéu pra “profe”, ela é 10.”
Stephanie (14 anos)

“Eu resolvi entrar na dança, porque minha saúde iria mudar e junto com isso meu corpo melhorou também. Eu gosto muito de dançar, tinha muita vergonha de todos e não gostava disso. Agora nas apresentações ou até mesmo na sala de aula não tenho mais vergonha, minha auto estima mudou e estou mais confiante. Tudo isso por causa da dança.”
Alessandra (13anos)


“Eu acho que mudou muita coisa na minha vida, minha postura,minha força de vontade na escola, meus hábitos em casa, uma vontade de me arrumar mais e mostrar quem eu realmente sou. Gostar mais das pessoas e aceitá-las como elas são e estão.”
Carolline Gularte da Silva (15 anos)


“Melhorou a minha vida que antes era sedentária. Me incentiva a fazer outras coisas. Me interessei mais por dança. Antes eu era mais fechada com as pessoas e agora já estou mais "sem vergonha".
Jamile (13 anos)


“Quando eu entrei na Dança, mudou muita coisa, antes eu era envergonhada, errava os passos e tinha vergonha. Aprendi a olhar outras culturas.”
Ariel Santos(13 anos)

Todas estas impressões que ficaram e que ficam com estas meninas é a prova maior de que as mudanças são possíveis, lentas, quase imperceptíveis mas que no final do processo fazem a diferença.


Quais são os projetos do grupo para 2009?
Quanto a 2009 pretendemos continuar os nossos encontros semanais, existe a proposta da aumentar estes encontros, possibilidade de ampliar o grupo e também de transformar estas meninas em multiplicadoras trabalhando com os "pequenos" do primeiro ano. Sem dúvida continuar nossas parcerias e quem sabe poder ampliá-las e muito mais que tudo isso que foi dito permanecer com o nosso lema, ser feliz fazendo o que gosta e ensinar isso aos outros.
Como nosso nome fala por si só, PROJETO EDUCAR DANÇANDO.
Desde já agradecemos a oportunidade e esperamos por outros momentos compartilhados
Beijos
Fani






















quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Carta aberta à governadora do RS

Se tu concordas com estas idéias, por favor, repassa, divulga à sociedade!


Senhora Governadora,

Sou artista plástica e professora de História e Teoria da Arte, atuante na cidade de Porto Alegre.

Por ocasião da exposição que inaugurei na Galeria de Arte da FUNDARTE, em outubro último, e ao participar de conferência no Seminário Nacional em Arte Educação , promovido por aquela instituição na mesma época, tomei consciência da iminente desativação do curso de graduação em artes da FUNDARTE/UERGS, sediada em Montenegro.

O que vi e ouvi a esse respeito da parte de professores, pesquisadores, estudantes e participantes do seminário, oriundos de todo o Brasil, senhora governadora, deixou-me constrangida de pertencer ao estado sob sua gestão.

Atuando em Porto Alegre , oriento estudantes, artistas e professores de diversas regiões do Rio Grande do Sul e pude testemunhar a iniciação profissional de jovens graduados pela FUNDARTE que ingressam na comunidade de artistas e professores com o entusiasmo de quem sai de uma escola qualificada e da qual se orgulha.

Pergunto-lhe: já esteve na FUNDARTE? Dialogou com seus alunos e professores? Tem idéia do trabalho que realizam e da contribuição que, em seus poucos anos, a graduação da FUNDARTE proveu, em âmbito estadual? Tem ciência do nível de qualificação dos professores, que, por falta de perspectiva naquela instituição, têm-se colocado entre os primeiros classificados em concursos para instituições federais de ensino de nível superior? Está consciente da demanda pendente entre os jovens estudantes desde que a senhora deixou de autorizar novos concursos vestibulares?

Por omissão ou protelação – ambas inaceitáveis como justificativa do fechamento de uma instituição pública de ensino –, o concurso que regulamentaria o quadro de professores da FUNDARTE junto à UERGS permanece sem data para efetivar-se. Da mesma forma, os concursos vestibulares para ingresso de novos alunos permanecem sem previsão de realização. Não havendo quadro de professores e tampouco alunos para dar início a mais um ano letivo, parecerá justificada a desativação do curso. Será essa a conclusão a que a senhora espera que chegue a classe educadora e cultural de nosso estado? Seremos assim tão ingênuos a seus olhos?

Pessoalmente, senhora governadora, ainda me encontro sob o impacto da notícia a respeito de escolas do ensino fundamental fechadas em municípios do interior do estado sob o pretexto de falta de alunos, argumentado pela Secretaria Estadual de Educação. Para agravar essa impressão de abandono e indiferença por parte do Governo do Estado, os jornais de grande circulação divulgam a inexplicável demora na nomeação de um novo diretor da FAPERGS, o que deixou nossa principal instituição de fomento à pesquisa praticamente inativa ao longo de 2008.

Será essa a marca que seu governo deixará na educação e na pesquisa?

A desconstrução? O descaso? A imobilidade?

Desculpe-me a sinceridade, senhora governadora, mas ouso afirmar que, sem ações que evidenciem o contrário, tenderei a concluir que seu governo objetiva a imobilidade administrativa que flagela nossas instituições educacionais.

Esta carta é, também, uma manifestação de solidariedade para com aqueles estudantes que tristemente vêem anulada a instituição que os formou e aqueles que já não poderão candidatar-se a ela em um próximo concurso vestibular. Minha solidariedade dirige-se aos colegas artistas e professores da FUNDARTE que transferiram suas vidas das cidades de origem para se tornarem cidadãos de Montenegro, cidade que os abraçou nesse projeto que seu governo está em vias de extinguir por absoluta falta de ação. Minha solidariedade é para com a educação e a formação artística qualificadas que perdem terreno em nosso estado, sob sua gestão.

Senhora governadora, seja na qualidade de artista, palestrante, ensaísta ou professora, atuando junto a artistas, estudantes, professores e pesquisadores em artes, serei mais uma a assumir o compromisso de sensibilizar nossa comunidade em relação à triste realidade que presenciei em Montenegro.

Maria Helena Bernardes

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Nossa canção concorre na 11ª Edição do Festival de Música de Porto Alegre

Entoncês! É Meme pra tudo que é lado!

Estamos, desde já, inscritos no 11º Festival da Música de Porto Alegre, que acontece de 30/10 a 2/11 no Teatro de Câmara Túlio Piva, a partir das 19h30. "Linha", canção de Tiago Rinaldi para o Espetáculo Teresinhas, de Paulo Guimarães, concorre como melhor música, intérprete, instrumentista, letra, arranjo e interpretação.

A apresentação do moço será dia 31 de outubro, sexta-feira, previsto para as 22h30. Quem quiser conferir e se unir à torcida é bom chegar cedo, pois a lotação do teatro é pequena.

Como sempre, além dos concorrentes, o festival conta com shows durante todas as noites, com talentos revelados pelo próprio festival. Este ano o evento conta com o show da Banda Raio Choque (30/10), Alvo do Sistema (31/10), Renata Adegas (01/11) e Pública (02/11), que encerra o Festival.

Para quem ainda não assistiu ao espetáculo, segue abaixo o clipe da música, produzido pela colateral filmes, de Porto Alegre.

Mas Bah!!! Merda pro Tiaguito e pro seu violão!!!

GrupoMEME


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sindbancários inaugura sala de cinema no centro de Porto Alegre!


Na última terça-feira, dia 14 de outubro, foi inaugurado o CineBancários, sala de cinema que tem como objetivo valorizar a produção cinematográfica do Rio Grande do Sul, do Brasil e do Mercosul.

Com uma programação que prioriza ciclos e mostras de filmes de curta e longa metragem nacionais, películas que marcaram a história do cinema no mundo e cuja produção tenha origem no Mercosul, a sala pretende ser um espaço voltado para debates sobre os grandes temas da humanidade, a partir da criação audiovisual.

Localizada na rua da Ladeira (Rua General Câmara, 424), entre o Teatro São Pedro e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a sala é equipada com modernos equipamentos de som e imagem, com ambiente climatizado, e tem capacidade para 83 pessoas. A obra foi executada com recursos obtidos por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Petrobras e o Banrisul.

Além disso, o público terá acesso a ingressos a preços especiais e valores diferenciados para bancários sindicalizados, estudantes, menores de 12 anos e maiores de 60 anos de idade, com valor de R$ 5,00 a inteira e R$ 2,50 a meia - de terça a domingo.

A iniciativa faz parte do projeto do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), eu visa criar um novo complexo cultural e de cidadania voltado para quem circula no Centro da Capital.

A Sala CineBancários, que foi aberta ao público no dia 15/10, inaugura sua tela com o ciclo CINEMA e TRABALHO, com uma seleção de vinte filmes entre clássicos e contemporâneos. Veja o programa clicando aqui ou peça pelo emailcinebancarios@sindbancarios.org.br.


SERVIÇOS

.: A sala
Ambiente com ar climatizado;
81 poltronas;
Dois lugares para cadeirantes;
Projetor Multimídia com sistema Blue Ray;
Projeção 35mm;
Som Dolby Digital 5.1;
Palco Multiuso

.: Ingressos:
Público em geral: R$ 5,00
Estudantes, idosos acima de 60 anos e bancários sindicalizados: R$ 2,50

.: Funcionamento:
De terça a domingo

Sessões:
De terça à sexta: 14h30, 16h30 e 18h30
Sábados e domingos: 15h, 17h e 19h

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A cereja do bolo?


Sempre me interessei por política e por dança. Mas nunca parei para pensar nos dois juntos. Até agora.

Em 1982, fui redatora-chefe da “Gazetinha”, jornalzinho da minha turma de 4 série do Ensino Fundamental. Escrevi um texto sobre as eleições para governador do estado, as primeiras desde muito tempo, pois ainda estávamos em período de ditadura militar.

Em 1985, acompanhei atentamente o drama de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil eleito depois de muitos anos. Tá certo que não foram eleições diretas, mas mesmo assim, o povo brasileiro vibrou muito com a sua vitória e nele depositava grandes esperanças.

Uma noite, no hotel Plaza São Rafael, me deparei com uma comitiva de políticos do PDT. Tancredo estava já internado e ninguém sabia de fato quais eram as chances dele sobreviver e ocupar a presidência. Eu tinha 12 anos. Caminhei até Leonel Brizola e perguntei a ele como estava o presidente. Lembro que ele me recebeu muito educadamente, conversamos sobre a situação do país ligeiramente e então ele olhou para os outros que estavam ao seu redor e disse: “aqui está a futura prefeita de Porto Alegre!!!”

Outubro 2008 – Porto Alegre teve 4 candidatas à prefeitura e eu não era nenhuma delas. Minha experiência com a política esvaneceu com o fim do meu período na Universidade. Muita campanha eleitoral fiz, muitas bandeiras carreguei, mas muito além disso não fui.

Quinta-feira passada, assisti ao debate dos candidatos a prefeito de Porto Alegre na RBS TV. E uma coisa começou a “gritar” nos meus ouvidos: ei! Vocês aí, senhores e senhoras candidatos!!! E quais são os seus projetos para a arte?? Não houve resposta. Dentre todos os tópicos de perguntas, nenhum deles dava abertura para que se falasse pelo menos um pouquinho sobre o papel da arte e da cultura em um governo. Ok, ok.... Eu sei que saúde, educação, transporte coletivo, desenvolvimento econômico etc, são assuntos de primeira importância. Muitos até diriam que arte é a cereja no topo do bolo, ou seja, é um enfeite, um toque de elegância para uma sociedade que já tenha tratado de seus outros problemas e possa se dar ao luxo de desfrutar de um espetáculo de música, teatro ou dança.

Será? Será que somos mesmo uma mera cereja? Nada contra a cereja, mas acredito que podemos e somos também capazes de ocupar outras partes desse bolo. Projetos artísticos podem muito bem transformar uma comunidade, tirar crianças das ruas, educar o cidadão, ampliar os horizontes, andar lado a lado com outros projetos de saúde e educação e até de desenvolvimento. Uma cidade precisa cuidar bem de seus artistas e dar oportunidades reais para que se criem outros, para que haja renovação e que esta renovação não aconteça somente nas elites que tem poder aquisitivo para pagar por aulas ou ir ao Teatro São pedro, nem que fique restrita à panelinhas.

Eu gostaria de ouvir, agora nesse segundo turno, as propostas de Fogaça e Maria do Rosário para a arte a a cultura. Gostaria de saber que a minha cidade tem projetos sociais que levam tudo isso em consideração.

Queremos fazer parte da discussão. Queremos ser a cereja e também o bolo.

Fernanda Stein

www.fernandastein.blogspot.com

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Funarte distribui cem bolsas de estímulo à criação e à reflexão crítica sobre as artes



link da notícia
http://www.funarte.gov.br/novafunarte/funarte/noticia.csp?NoticiaId=732



Estão abertas as inscrições, até 29 de setembro de 2008, para o Programa Nacional de Bolsas da Funarte, que vai distribuir cem bolsas de R$ 30 mil a artistas, críticos e outros profissionais das artes em todo o território brasileiro. Com formato inovador, o programa viabiliza a produção de obras e estudos em artes visuais, música, artes cênicas e literatura.

Segundo o presidente da Funarte, Celso Frateschi, as bolsas garantem condições materiais para o desenvolvimento do projeto e possibilitam a dedicação exclusiva do bolsista. "Isso favorece a profissionalização do setor e o aprofundamento do trabalho artístico", explica.

Os contemplados receberão as bolsas em três parcelas e terão seis meses para executar seus projetos. O edital prevê que todas as regiões do país sejam atendidas, em um esforço de descentralização dos recursos da fundação, de acordo com as diretrizes do Ministério da Cultura. O investimento total da Funarte no programa é de R$ 3,7 milhões.

As BOLSAS DE ESTÍMULO À CRIAÇÃO ARTÍSTICA serão destinadas a projetos de criação e pesquisa de linguagens nas áreas de 'artes visuais', 'literatura', 'dança', 'dramaturgia', 'fotografia', 'música popular' e 'música erudita'. Serão concedidas duas bolsas para cada uma dessas categorias em cada região do país, totalizando setenta bolsas. Os artistas e profissionais contemplados deverão desenvolver trabalhos inéditos, com o objetivo de ampliar a produção e a difusão das artes no Brasil.

Além de fomentar a produção, a Funarte busca, com as BOLSAS DE ESTÍMULO À PRODUÇÃO CRÍTICA EM ARTES, estimular a reflexão sobre as manifestações artísticas contemporâneas. Críticos, pesquisadores, artistas, professores, estudantes e outros profissionais das artes podem inscrever seus projetos nas categorias 'artes visuais', 'dança', 'música', 'teatro', 'interfaces dos conteúdos artísticos e culturas populares' e 'conteúdos artísticos em mídias digitais/internet'. Será concedida uma bolsa para cada uma destas categorias em cada região brasileira.

Celso Frateschi afirma que a Funarte quer contribuir para a produção intelectual sobre artes visuais, música e artes cênicas, além de investir em fotografia, literatura e mídias digitais. "Pretendemos também ampliar a discussão em todo o país sobre cultura popular, não em seu sentido mais genérico, mas no que diz respeito às manifestações artísticas populares brasileiras", define.

Os interessados devem enviar à Funarte seu projeto, acompanhado de currículo e ficha de inscrição, somente pelos correios, até 29 de setembro de 2008. As propostas aptas a concorrer às bolsas serão julgadas por comissões formadas por profissionais de notório saber em cada uma das categorias, de todas as regiões do país.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Entrevista com Stela Menezes

Fernanda Stein, bailarina do Grupo, conversou esta semana com Stela Menezes, bailarina com especialização em vídeo-dança pela Angel Vianna (RJ), atualmente, em atuação no Domus Studio de Dança, em Novo Hamburgo. Stela, que ministrou semana passada um workshop sobre Vídeodança no Meme Centro Experimental do Movimento, fala um pouco sobre sua trajetória e do trabalho que desenvolve:

Fale um pouco da tua trajetória artística na dança em Porto Alegre.

Eu comecei a vir a Porto alegre pra fazer aulas em 1989; inicialmente Ballet, e pouco tempo depois, técnica de Martha Graham com a Cecy Franck. Fiz parte da turma que iniciou o Centro de Formatividade em Dança, que foi um projeto de uma escola de dança Estadual, mas que infelizmente não sobreviveu ao segundo ano de funcionamento. Dancei (ainda danço) com a Victoria Milanez, do Ballet Concerto, com o Muovere, com o Paulo Guimarães no Meme e atualmente trabalho com a Maria Waleska e o Décio Antunes. Nunca perdi, porém, o contato com a cidade de onde eu vim (Novo Hamburgo), onde tive um grupo experimental com duas outras bailarinas (Tríptico Grupo Independente de Dança), participei da Sêmea Cia de Dança e depois do Domus, estúdio onde também iniciei minha carreira pedagógica em dança.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar com vídeo-dança?

A vídeodança surgiu quando eu me formei (Música pela UFRGS) e comecei a procurar cursos de pós-graduação na área de dança. Eu tinha tido um contato rápido com essa forma artística em um curso no Condança havia alguns anos, e decidi cursar a especialização em Videodança na Faculdade Angel Vianna (RJ).

O que dizer da tua temporada carioca? Como foi a experiência?

No tempo que passei no Rio, além dos estudos específicos em Videodança, tive a oportunidade de fazer aulas com coreógrafos e pesquisadores em dança contemporânea como Alexandre Franco, Paulo Caldas, Andréa Bergallo, Carlos Laerte, Andréa Maciel, Tony Rodrigues, além de alguns mestres de ballet clássico. Participei de um espetáculo (oficina-montagem) com Sueli Guerra, dando seqüência às experiências com dança-teatro que eu já tinha aqui no Sul. Aproveitei também para assistir a muitos espetáculos, pois sempre há uma boa variedade de opções. Percebi que o circuito de dança do Rio de Janeiro é bastante qualificado, com artistas que investem muito em sua formação, tanto física quanto intelectual, e que existem vários Festivais importantes de nível profissional como o Panorama da Dança e o Dança em Foco (que é específico de Videodança). O mercado é bem maior do que aqui, mas também há muitos bailarinos, e é bastante difícil para um 'forasteiro' integrar-se no circuito profissional.

Como a bailarina Stela se relaciona com a sua imagem no vídeo?

Ver-se no vídeo é algo muito interessante, pois possibilita reconhecer a nossa forma de nos movermos, de um ponto de vista diferente daquele que temos ao olhar em um espelho. Sempre penso na Isadora Duncan, sobre quem tanto se falou, elogiou, criticou, admirou, mas de quem ficaram somente os registros em textos, fotos e desenhos, e a informação no corpo de suas discípulas. Não conhecemos Isadora em movimento, e isso parece historicamente lamentável. A minha experiência particular com a minha imagem filmada passou por algumas transformações. Sempre, o princípio de tudo é a aceitação do corpo. Se as imagens não atenderem aos meus critérios pessoais de aceitação do tamanho e forma do corpo, figurino, iluminação e enquadramento, elas são censuradas e eliminadas na edição. Porém, não ferindo esses critérios, eu geralmente gosto das imagens que eu produzo em termos de precisão, clareza e interesse dos movimentos.

Planos artísticos para o futuro próximo? Podes dividí-los conosco?

Meus projetos a partir de agora são dançar muito, afinal, neste tempo no Rio fui muito pouco bailarina; aprofundar meus conhecimentos técnicos relacionados a equipamento e produção videográficas; dar prosseguimento às minhas pesquisas em dança contemporânea com meus alunos, visando tanto a composição coreográfica quanto a produção de vídeos. No momento, estou interessada em ampliar minha atuação em Porto Alegre, tanto como intérprete quanto como professora, pesquisadora e criadora.

O que é o Meme nas tuas palavras?

O Meme na minha visão é espaço, como se fosse um espaço gerador de espaços. Percebo na diversidade e na disponibilidade que fazem parte da filosofia desse lugar a geração, para os criadores que ali transitam, de uma espécie de tabula rasa, como se propiciasse uma folha em branco essencial para se começar a escrita de alguma coisa. Obviamente, nenhuma pesquisa em arte contemporânea principia zerada, mas o espaço-Meme parece favorecer o questionamento de pressupostos estabelecidos e o encontro de muitos outros possíveis.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Teresinhas na Estrada


Nos dias 09 e 10 de agosto, o Grupo Meme encarou a estrada e subiu à serra gaúcha levando a sua mais nova produção “Teresinhas”. Foi a primeira vez que o espetáculo foi apresentado fora de Porto Alegre e o retorno não poderia ter sido melhor. O público caxiense compareceu em peso nas duas noites, aquecendo o simpático Teatro Municipal com sua calorosa presença deixando toda a equipe com um sentimento muito agradável de missão cumprida.
Ao contrário do que muitos podem pensar, viajar com um espetáculo requer organização e eficácia. A produção possui um papel importantíssimo nesse quesito, pois é ela que cuida de questões como o transporte, reservas em hotel, a alimentação da equipe, etc. Ou seja, é a produção que faz com que a coisa como um todo aconteça. Detalhes tão essenciais como a água do camarim para os bailarinos, por exemplo. Imagine se uma bailarina precisasse sair em busca de água ou de um lanche no meio de um ensaio ou de sua maquiagem, enfrentando o frio da serra gaúcha? Nossa equipe de produção contou com a agilidade do
assistente Enzo Zuboski Maurer e com o nosso produtor nessa viagem, o sempre gentil Tiago Rinaldi.
Agora, de que adiantaria todo esse esforço se na hora do espetáculo não tivéssemos uma bela luz para dar o clima que ele pede? A operação de luz é uma das tarefas mais importantes, pois a luz é como um personagem em cena e requer tratamento diferenciado e especial. O Teatro contava com uma equipe de técnicos muito capaz que ajudou na montagem de luz. A operação ficou a cargo do Memético Miguel Sisto que com a ajuda do diretor e coreógrafo Paulo Guimarães conseguiu passar pelo seu batismo de fogo servindo-nos com a bela iluminação criada por Fabrício Simões.
Ok, temos a produção, a luz, mas ainda falta um elemento fundamental: o cenário, que no caso de Teresinhas teve a assinatura de Rudinei Morales. Na chegada em Caxias, logo após descarregar a van, nossa equipe em peso desdobrou-se na tarefa de aparafusar e montar as estruturas de metal que servem de suporte para os biombos em cena. Bailarinas, produção, diretor, todos juntos concentrados em dar vida ao palco, criando o mundo por onde passariam as nossas “Teresinhas”.
Esqueci de falar da nossa querida Tesoureira, Angela Coelho. Afinal, vivemos num mundo onde nada é de graça, não é? E para isso lá está a Angela com a sua discrição e sua bolsinha, organizada e honesta, garantindo que nossas contas fossem todas pagas “tintin por tintin”.
Importantíssimo salientar: dinheiro não cai do céu. A ida do Meme à Caxias teve o apoio e o patrocínio das empresas HD Rivets, Sulcromo, Duroline, Foca, Metaltecss e promoção do Clube do Assinante ZH. O nosso muito obrigado a essas empresas e que outras sigam o seu exemplo, pois um país não se constrói sem arte e esta precisa de pessoas que acreditem e invistam nela. Todos, com certeza, saem ganhando: artistas, empresários e público.
Last but noy least: “Teresinhas” tem a direção e coreografia de Paulo Guimarães, coordenador do Meme e capitão desse navio!! Sério quando precisa ser, brincalhão quando a hora permite, sua extrema generosidade é a linha que une todos esses pontos, fazendo com que o trabalho seja suave sem perder a sua precisão.
Ah, e eu ia esquecendo, nós somos as Teresinhas: Angela Coelho, Ariane Donato, Adriane Vieira, Fernanda Stein, Marina Stumpf, Thais de Freitas e Wal Araujo.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Julho da Dança

Não se pode reclamar da falta de atividades relacionadas à dança no mês de julho em Porto Alegre.
A agenda está repleta de espetáculos, sem falar em dois eventos realizados no Sesc que trarão profissionais de renome local e nacional para discutir, debater e ministrar oficinas .
Estes dois eventos são: “Diálogos da Dança” e o Condança”.
Sábado passado, dia 05 de julho, aconteceu a abertura do primeiro evento citado acima com a palestra de Dulce Aquino às 18hrs no café do Sesc: "O avanço da dança e as políticas públicas no Brasil".
Cheguei apressada no local pois estava um pouco atrasada. Imaginava encontrar o café repleto de colegas bailarinos e pessoas ligadas à dança para assistir a palestra da professora Dra. Dulce Aquino da Escola de Dança da UFBA - Bahia. Para minha surpresa, havia apenas 4 pessoas no recinto. A palestra não havia começado. Senti um certo desânimo, afinal, era um evento para ser prestigiado pela classe. Pelo menos, assim eu pensava.
A palestrante não se abalou com o pequeno número na platéia, que no seu decorrer subiu para 8 pessoas. Cheia de energia, Dulce falou sobre os avanços da dança no cenário nacional. Representante da dança no Conselho Nacional de Cultura, sua fala se ateve principalmente às políticas públicas e à luta da classe da dança em construir cada vez mais a sua identidade se consolidando como uma força artística em nosso país.
Como um dos principais avanços por ela citados, está uma pesquisa realizada pelo IBGE que apontou a representatividade das diferentes linguagens artísticas no Brasil. Para a sua surpresa, a dança apareceu somente atrás do artesanato, ficando em segundo lugar. A pesquisa também apontou a existência de grupos de dança organizados em 56% dos municípios brasileiros. A descoberta deste numero só foi possível, disse ela, porque houve nesta pesquisa uma separação entre as diferentes áreas das chamadas “artes cênicas”, ou seja, a dança foi separada do teatro. A não subjugação da dança pelo teatro, de acordo com a palestrante, permite um melhor estudo da natureza da realidade da dança e das suas especificidades.
Outro avanço comentado por Aquino foi um evento recentemente ocorrido em Salvador, o I Encontro de Pesquisadores em Dança. O objetivo é estimular a produção de trabalhos e pesquisas acadêmicas na área da dança nos cursos em universidades do país. Um total de 174 trabalhos foram enviados ao Encontro, que considerou este um número bastante positivo e surpreendente.
Por fim, Dulce Aquino parabenizou o Sesc RS por sua iniciativa em investir em eventos relacionados à dança, tornando-se, assim, um valioso parceiro.

Seguindo o roteiro de atividades deste mês, dia 09 de julho ocorreu o coquetel de abertura do Condança, que tem a curadoria de Maria Waleska Van Helden e como tema "Diálogos, Hibridismo e Mestiçagem." O Condança também oferecerá uma residência em vídeo-dança entre os dias 14 e 17 de julho.

O MEME estará marcando presença nos dois eventos. Próximo dia 19 de julho, o espetáculo BU: Um olhar adulto sobre a criança que há em nós" será apresentado dentro da programação de "Diálogos da Dança".



No Condança, Paulo Guimarães, diretor do MEME, participará de 3 mesas-redondas nos dias 10 de julho "Hibridização e Processos de Criação na História do RS", 12 de julho "Hibridização e Processos de Criação no RS", partes 1 e 2.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Mostra Sesc Diálogos da Dança
Uma ação cultural para colocar a dança em discussão, unindo artistas locais e convidados de outros estados para debater políticas, formação e a produção atual da Dança Contemporânea.

Durante a mostra, o Grupo Meme apresenta o Espetáculo BU! Um olhar adulto sobre a criança que há em nós:


Bu!!! A interjeição utilizada para assustar alguém implica um jogo. O jogo de quem quer surpreender. O jogo de quem é surpreendido ou finge surpreendido, o que torna o jogo mais interessante ainda, pela cumplicidade e possibilidade de representação, do “faz de conta”. No universo adulto isso tantas vezes deixa de acontecer. Imagina surpreender-se com um previsível e prosaico “Bu”? O MEME Grupo de Pesquisa do Movimento implode as falsas estruturas do mundo da dita maturidade e investe na possibilidade deste jogo acontecer.


PROGRAMAÇÃO

Espetáculos

Folias Felinianas
(Grupo Experimental de Dança da Cidade - POA)
Local: Teatro do SESC (Av. Alberto Bins, 665 – 2º andar)
Horário: 20h

Alice
(Grupo Gaia - POA)
Local: Cine Theatro Ypiranga (Av. Cristóvão Colombo, 772)
Horário: 20h

Um Corpo bem de Perto
(de Luciana Paludo – POA)
Local: Teatro do SESC (Av. Alberto Bins, 665 – 2º andar)
Horário: 20h

BU - um olhar adulto sobre a criança que há em nós
(MEME Grupo de Pesquisa do Movimento – POA)
Local: Teatro do SESC (Av. Alberto Bins, 665 – 2º andar)
Horário: 20h

Chão
(com Robson Duarte – direção Jessé Oliveira – POA)
Local: Teatro do SESC (Av. Alberto Bins, 665 – 2º andar)
Horário: 20h

Os convidados e suas críticas:

Dulce Aquino e Alejandro Ahmed assistirão aos espetáculos da programação e produzirão críticas, que serão publicadas no site www.sesc-rs.com.br/artesesc. Esta iniciativa vem ao encontro das diversas ações que o SESC vem desenvolvendo no ano de 2008 com foco na crítica de teatro e dança, no intuito de fomentar a produção de críticas bem como qualificar os interessados na área. Entretanto a proposta desta discussão vai além de um simples incentivo, mas propõe-se a questionar a importância do Crítico de arte na atualidade, sua relevância, o espaço destinado a sua produção bem como a forma de recepção do leitor.

Desenvolvimento artístico e cultural:

Encontro de Cultura com Dulce Aquino (Professora Doutora da Escola de Dança da UFBA - Bahia)
Local: Café Concerto (Av. Alberto Bins, 665 – 2º andar)
Horário: 18h

"Percepção Física" Worshop com Alejandro Ahmed (diretor e coreógrafo do Grupo Cena 11 – SC) e Mariana Romagnani (Bailarina do Grupo Cena 11)
Local: Sala DAC (Av. Alberto Bins, 665 – 3º
andar)
Horário: das 14h às 16h

Encontro de Cultura com Alejandro Ahmed (diretor e coreógrafo do Grupo Cena 11 – SC)
Local: Café Concerto (Av. Alberto Bins, 665 – 2º andar)
Horário: 18h

terça-feira, 20 de maio de 2008

É sagrado dançar



“Whenever a dancer stands ready, that spot is holy ground”
Martha Graham


Dançar sempre fez parte da minha vida. Pequena e tímida que eu era, minha mãe conta que chegava nas festas de aniversário da minha turma e enxergava uma rodinha com várias crianças dançando e no meio de todas elas, eu.
Aos oito anos comecei a fazer ballet e em seguida resolvi “abrir” uma turma de crianças na minha casa. Minha irmã Adriana, três anos mais nova que eu, convidava as colegas do colégio e eu lhes dava aula de ballet numa sala de estar grande e vazia que tínhamos na casa que o meu pai construiu para a nossa família. Essa sala permaneceu vazia, pois a casa e a família não duraram muito, meus pais se separaram quando eu tinha 10 anos.
Nas festas de Natal, montava coreografias. Usava as fantasias dos espetáculos de fim de ano da escola ou criava outras. Ainda hoje, minha família lembra de algumas apresentações e as fotos existem para que não me deixem mentir.
O ápice de toda essa história foi o filme musical A Noviça Rebelde. A primeira vez que o assisti, no antigo cinema Presidente na avenida Benjamin Constant, estava com minha tia Renée, que me cochichava as falas ao pé do meu ouvido – eu ainda não conseguia ler as legendas. Apaixonei-me pelo filme e pelas músicas cantadas pela divina Julie Andrews. E decidi montar o musical em uma das minhas férias em Atlântida. O elenco era composto por amigos e pela minha irmã. Eu dirigia, coreografava e atuava. Na verdade, tinha papel duplo: fazia a noviça e a irmã mais velha na famosa cena em que dança e canta no jardim de inverno com o seu namorado austríaco. Nós apresentávamos nas casas das nossas famílias e cobrávamos ingresso!!!! De onde eu tirava tamanha coragem? (sim, nós cantávamos em inglês!!!!).
Com o tempo, o rigor do ballet clássico acabou por me tornar uma jovem adolescente amarga por não ter o corpo “perfeito” para dançar. Vivia em crise com a balança, com a minha altura e o meu andeour. Não aceitava o corpo que tinha, passava horas com pilhas de enciclopédias em cima das pernas e dos joelhos para tê-las no formato em “x”. Meu sonho era ser anoréxica como Gelsey Kirkland, a bailarina norte-americana que definhou com a doença. Eu era jovem. E eu queria dançar. Mas dançar tinha se tornado uma cobrança e um sofrimento.
Parei de dançar por oito anos. Oito longos anos. Mas a verdade é que nunca me afastei da dança. Ela vivia dentro de mim e nos meus sonhos. Lutei para afastá-la, como se luta às vezes para esquecer um grande amor. Procurei outras atividades, me tornei professora de inglês, me formei socióloga, fiz política no DCE da Universidade. Tudo muito bacana. Mas não bastava. A dança gritava dentro de mim e eu sofria por não encontrar meios de deixá-la sair.
Martha Graham, na sua autobiografia Memórias do Sangue, diz que “...a dança é a eterna pulsação da vida, o desejo absoluto. É o desconhecido.” Ela chama o bailarino de “atleta de Deus”. Martha dedicou a sua vida à dança, morrendo aos 97 anos em 1991. Deixou um legado a todos bailarinos e artistas ao viver a dança como algo “sagrado”:

“Acho que o motivo pelo qual a dança tem mantido uma magia tão perene para o mundo é que ela tem sido o símbolo da realização da vida. Com o tempo, as descobertas científicas mais admiráveis sofrerão mudanças e talvez se tornem obsoletas. Mas a arte é eterna, pois revela a paisagem interior, que é a alma do homem.” (Memórias do Sangue, p.11)

A dança está presente na vida do homem desde os tempos mais remotos e sua origem foi como ato sagrado. Os primeiros registros de movimentos do corpo datam de 14.000 anos atrás. Mas é só no século XX que a pesquisa na dança começa a ser aprofundada. Supõe-se, através de registros históricos, que o homem paleolítico celebrava a caça através de uma dança ritual. O sentido do sagrado aqui atribuído é o da consagração, a dança leva e eleva os homens a um plano superior a si mesmos.
Com o passar dos séculos e a busca por um pensamento racional, a dança começa a ter um caráter mais cerimonial e perde um pouco da sua origem ritualística.
Para os gregos clássicos, a dança era um dom dos imortais e uma forma de comunicação entre os homens e os deuses. O filósofo Sócrates dizia que a dança formava o cidadão por completo.
Entre os romanos, pode-se destacar as danças guerreiras celebradas durante a primavera em honra a Marte, o deus da guerra.
Foi inspirada por essa origem da dança tão fortemente ligada ao sagrado que redescobri o prazer de dançar.
Ao fazer o caminho de volta e tentar chegar na pureza dos nossos ancestrais, passei a me preocupar menos com normas e regras e mais com a alegria de simplesmente dançar e criar.
Descartei preconceitos que já não me serviam mais, esqueci a grande bobagem que se diz por aí que a dança é para os “jovens” e aos 30 anos renasci e renasço a cada dia que danço, pois esta é a minha necessidade primeira, a minha grande paixão.
Essa é uma pequena parte da minha história com a dança e o porquê dela ser sagrada para mim.

Qual a sua história?
Fernanda Stein


Fontes bibliográficas:
Memórias do Sangue – uma autobiografia – Martha Graham
A Dança e sua característica sagrada – Marta Claus Magalhães

quarta-feira, 14 de maio de 2008

II Prêmio Açorianos de Artes Plásticas

Em cerimônia no Teatro Renascença, realizada no dia 8 de maio, às 20h, Porões-a-Paralelos, de Eny Schuch, Niúra Borges, Fernanda Stein e Paulo Guimarães, levou o II Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, destaque em Mídias Tecnológicas. Com trilha original de Arthur Barbosa, a vídeo performance foi uma imersão do grupo nos porões da Prefeitura de Porto Alegre, pesquisada durante seis meses pelo Núcleo em Videodança, do MEME - Centro Experimental do Movimento.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Para marcar o Dia Internacional da Dança...


“Quando olho para mim não me percebo. Tenho tanto a mania de sentir que me extravio às vezes ao sair das próprias sensações que eu recebo." Fernando Pessoa

“Quando paro para pensar sobre a dança sinto uma necessidade enorme de expressar toda a felicidade, angustias, planos e esperanças, aprendizados, decepções, momentos plenos e únicos vividos e proporcionados durante a encantadora experiência que é o ato de dançar. São momentos que ficam para sempre, talvez oportunidades únicas de manifestar-se por inteiro. A dança traz fragmentos do nosso ser que muitas vezes não conseguimos acessar, como uma porta mágica que só abre aos puros de coração, ou, nos momentos em que conseguimos estar! Certa vez ao indagar a um colega como ele conseguia se transfigurar daquela forma no palco, ele me respondeu: -Paulo, acho que é o AMOR! E quem não tem capacidade de Amar? Então dancemos!”

"Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez!" Friedrich Nietzsche


Vá, agora mesmo, coloque um som, uma música, cante; e deixe seu corpo livre de todo preconceito e julgamentos possíveis. Simplesmente dance, do jeito que quiser, mas dance! Não perca esta oportunidade. Talvez este seja o momento de você encontrar-se um pouco para ter uma conversa íntima consigo mesmo. Seus músculos querem conversar, desesperadamente, com seus sentidos, Seus ossos querem confidenciar com suas memórias, sua pele quer se reconciliar com sua imaginação. Você deve estar pensando agora que sou um idiota ou louco, mas foi a forma que encontrei de mostrar para mim mesmo e aos outros quem sou realmente. Danço minha vida e minha vida é dançar!

"O corpo diz o que as palavras não podem dizer.” Martha Graham



Hoje é o dia Internacional da Dança e nós do MEME - Centro Experimental do Movimento Ltda. e do MEME – Grupo de Pesquisa do Movimento queremos compartilhar com todos vocês a alegria que sentimos em poder proporcionar a todos que estão conosco estes momentos inesquecíveis e desejar, também a todos, muita DANÇA EM SUAS VIDAS!!!E dizer que estamos engajados em lutas em prol desta DANÇA, através de uma postura ética frente à todos que tentam distorcer os princípios básicos da popularização e democratização da cultura enquanto arte, enquanto dança! Com atitude e posicionamento frente às causas da nossa profissão e nossa classe. Não cedemos à pressões muito menos à políticas do "medo" que rege a cultura gaúcha.

"O bailarino tem que sair do studio e ir ver como as pessoas estão dançando na rua." Ivaldo Bertazzo

Paulo Guimarães – Diretor e Coordenador do MEME







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Registro do Laboratório de movimento realizado no Parque da Redenção em Porto Alegre-RS, em 19 de abril de 2008.